As tecnologias têm possibilitado cada vez mais a democratização do acesso à internet. Por aqui, já indicamos diversos aplicativos que ajudam na inclusão de pessoas com deficiência, como o Hand Talk e o MiniMatecaVox, ambos brasileiros. Agora, mais um software está chegando para entrar nesta lista, o F123, um dos vencedores do Desafio ‘Tecnologia é Ponte: diminuindo distâncias na educação’, uma parceria entre o Changemakers da Ashoka e o Instituto Embratel Claro.
Criado em Curitiba pelo designer Fernando Botelho, o software tem o objetivo de garantir o acesso à educação de qualidade a crianças e jovens por um preço de 10 a 50 vezes menor do que o das ferramentas convencionais. Botelho, que ficou cego há mais de 20 anos, criou o F123 para que todos os deficientes visuais pudessem ter as mesmas oportunidades que ele em teve em sua educação – apoiada pelas TIC. “Uma média de 90% das crianças com deficiência visual em países em desenvolvimento não têm acesso à educação e muito mais que 70% dos adultos cegos ou com baixa visão estão desempregados”, explica.
O F123 é um software livre, com um sistema operacional completo que inclui apps de uso diário, como navegador web e editor de texto. A ferramenta já atravessou os mares e está presente em mais de 20 países com versões em português, inglês e espanhol. Segundo Botelho, é estimado que o software já tenha alcançado mais de 504 mil pessoas com deficiência visual em todo o mundo.
Agora, com o prêmio do Desafio Tecnologia é Ponte, a equipe espera que o F123 vá ainda mais longe. “Vamos lançar um novo produto que estamos chamando de F123 Access, que vai melhorar o acesso a páginas web para pessoas com deficiência visual”, conta Botelho. E para fazer com que a ferramenta chegue a cada vez mais pessoas, eles estão firmando parcerias com ONGs e empresas privadas e estão em negociação com entidades públicas.
O grande diferencial da ferramenta é ser de software livre, ou seja, pode ser adaptada por qualquer pessoa interessada ao redor do mundo. “O software livre é resultado de uma cooperação de pessoas e organizações de diversos países que o enxergam como uma ferramenta à qual todos temos direito e entendem que o trabalho em equipe melhora a qualidade, segurança e relevância dessa tecnologia para todos, incluindo pessoas com deficiência”, defende Botelho.