Juntar alunos interessados em aprender coisas que não estão na grade curricular e voluntários dispostos a ensiná-las: esta é a proposta do projeto Quero na Escola!, uma plataforma que permite a estudantes pedirem o que desejam aprender além das matérias obrigatórias.
O mecanismo é simples: qualquer aluno do ensino público pode se cadastrar e pedir aulas que lhe interessem, como dança, grafite ou programação. As oficinas requisitadas aparecem no site e os professores-voluntários escolhem onde e quando podem comparecer. Além disso, é possível fazer a busca por escolas parceiras. Ou seja, o voluntário pode optar por uma escola próxima de sua casa, visto que a ideia é integrar a escola à comunidade.
https://youtu.be/cdA4JQS5ZeI
O projeto foi criado em agosto deste ano, após um mapeamento feito por Cinthia Rodrigues, Luciana Alvarez, Luísa Pécora e Tatiana Klix, a partir de entrevistas com professores e alunos no âmbito do Social Good Brasil Lab, um laboratório sobre tecnologia e transformação social. Ao conversar com os alunos, veio a surpresa: “tidos como desinteressados, eles na verdade são cheios de ambições, sonhos, vontades”, explica Cinthia Rodrigues. A vontade de ajudar foi imediata, e logo elas entenderam que poderiam envolver as escolas e a sociedade na iniciativa.
Até o momento, o projeto conta com sete escolas parceiras, seis em São Paulo e uma em Belo Horizonte. Em breve, mais uma entrará para a lista, e o site está sempre aberto a parcerias. Porém, não é necessário que a escola se torne parceira. “Em alguns casos, alguns alunos fizeram um pedido e pronto. Nós sempre procuramos a escola na sequência para saber se aulas podem ser lá, mas o programa tem o propósito de funcionar sozinho”, diz Cinthia. Basta alunos e voluntários marcarem as aulas em outro espaço, como uma biblioteca próxima, por exemplo, e o Quero na Escola! facilita a agenda. “Este é um processo que pode funcionar em qualquer parte do país”, explica.
Um dos grandes diferenciais do projeto é o foco no aluno. Ao contrário do que costuma ocorrer, ele é quem escolhe o que quer aprender, em vez de simplesmente se matricular nos cursos que são oferecidos. Há duas razões principais para isso, segundo Cinthia. “Queremos ajudar no desenvolvimento geral do aluno: na sua autoestima, na habilidade de se relacionar com o mundo fora da escola, em novos desafios ao pensar sobre a própria formação”, diz. “Além disso, achamos que ao fazer algo que gosta, ele passe a se sentir mais confiante e criativo inclusive com o programa escolar obrigatório”.
Outro ponto importante é a ênfase dada às escolas públicas. Cinthia, que há anos escreve sobre o ensino público (atualmente, mantém um blog dedicado ao assunto, o Escola Pública), explica que o foco não é por acaso: “88% da população é formada pela escola pública. Logo, para contribuir com a sociedade é preciso focar nela”. Ela sabe que nem sempre é fácil ajudar, pois as necessidades de cada escola não são tão evidentes: “Não tem uma placa na porta dizendo o que estão precisando. Mas agora tem o Quero na Escola!, com alguns pedidos concretos”, diz.
Você é aluno e quer aprender algo novo na sua escola? Entre no site e faça o cadastro. Se você é gestor, que tal se tornar parceiro do Quero na Escola? Se você quer se voluntariar, entre no site e busque uma escola perto de você ou inscreva-se diretamente.