O projeto de prevenção ao uso de drogas na infância e na adolescência, Dr. Bartô, desenvolveu uma série de planos de aula sobre o assunto com foco no ensino fundamental II. Ao todo, são 64 materiais voltados ao currículo escolar dos alunos dos 6º, 7º, 8º e 9º anos, nas disciplinas português, matemática, ciências, história, geografia, artes, inglês e educação física.
O objetivo dos planos é intensificar as discussões sobre o tema com os mais novos. “As pesquisas apontam que falar sobre o assunto nas escolas e com a família diminui em 60% a experimentação de drogas nesta faixa etária, incluindo álcool, tabaco, maconha, entre outros”, aponta o doutor em pediatria pela Faculdade de Medicina da USP e responsável pela iniciativa, João Paulo Becker Lotufo.
Os planos de aula foram desenvolvidos por pedagogos vinculados ao projeto e permitem que os professores façam alterações visando melhor adequá-los à sua realidade e à estrutura de cada unidade escolar.
“Proibir não é a solução, mas discutir o assunto e capacitar o professor também para entender que muitas drogas podem provocar danos irreversíveis, como a vinculação do uso da maconha com a esquizofrenia, que poucos sabem”, relata.
Quanto mais cedo, pior
O projeto é voltado para o ensino fundamental II por ser o momento em que, segundo Lotufo, a experimentação de drogas é mais frequente. “Lembrando que o cérebro do jovem permanece em formação até os 21 anos, e o uso de entorpecentes pode causar danos”, justifica.
Segundo ainda Lotufo, retardar o consumo de álcool e do tabaco também é uma forma de prevenir a dependência quando mais velho. “Quanto antes ocorrer a experimentação, maiores são as chances de o jovem ficar dependente na idade adulta”, acrescenta.