Nas últimas semanas, escolas públicas da região metropolitana de São Paulo puderam se inscrever para participar da expansão do projeto Khan nas Escolas, promovido pela Fundação Lemann em parceria com o Instituto Península e o Instituto Natura. Com o objetivo de contribuir para o aprendizado de matemática dos estudantes de escolas públicas brasileiras, o projeto utiliza vídeos educativos desenvolvidos pela Khan Academy, traduzidos para o português pela Fundação.
No primeiro semestre, o Khan nas Escolas esteve presente em seis turmas de 5ª série (antiga 4ª série), em fase piloto. Neste semestre, o projeto expandirá seu alcance para mais 30 turmas, chegando a aproximadamente 1.200 alunos. Cerca de 70 escolas se inscreveram para participar desta fase. Para selecionar as instituições, representantes da Fundação Lemann realizam visitas para verificar quais atendem às exigências relacionadas à infraestrutura tecnológica divulgadas no edital.
Os professores das escolas selecionadas passarão por um treinamento específico para a utilização do conteúdo da Khan Academy. A ideia é que os vídeos possam ser utilizados pelos alunos também fora da escola, como um reforço em horários extracurriculares, com o monitoramento por meio de um software de exercícios que utiliza recursos de jogos para estimular o aprendizado. Dividido em níveis de aprendizagem, o jogo faz alusão ao sistema solar. Cada vez que o usuário atinge 100% de uma fase, ele conquista um novo planeta. Este programa permite que os professores avaliem e orientem os alunos.
“Nesta segunda fase, ao trabalhar com um número maior de escolas, redes, alunos e professores, esperamos continuar aprimorando a ferramenta, acumulando aprendizado sobre o uso, os potenciais, pontos que ainda precisam ser ajustados para que, em 2013, sejamos capazes de fazer uma expansão ainda maior, mais robusta” conta Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann.
Khan Academy em português
O projeto original, criado pelo matemático indiano Salman Khan, já conta com 2.800 vídeos, em inglês, sobre diversas matérias e mais de 4 milhões de visualizações em seu canal no YouTube. Desde o começo do ano, os vídeos de aritmética, química, física e biologia vem sendo traduzidos para o português.
Segundo Mizne, para garantir a qualidade técnica e de conteúdo dos vídeos, foi necessário um processo muito cuidadoso e bastante trabalhoso. Por existir escrita, além da fala, é necessário a regravação de algumas imagens dos vídeos, para que a tradução seja completa. Além disso, em matérias como matemática, o estilo de ensino no Brasil é diferente do modelo americano. Nesses casos, o conteúdo teve que ser adequado ao padrão brasileiro.
Questionado sobre a expectativa dos educadores em relação ao projeto, Mizne afirmou que “a receptividade é enorme, principalmente pela dificuldade que ainda temos no campo da matemática. Os professores estão muito animados com a ferramenta, na medida em que ela faz bastante sentido para seu cotidiano, porque ajuda a trabalhar com a diversidade das turmas, proporcionando ferramentas para que todos os alunos avancem, de acordo com seu ritmo e nível de aprendizagem.”