Você já parou para pensar sobre quem comanda a web? O meio de comunicação que mais ganhou relevância nos últimos anos ainda é acessível a poucos, se consideramos sua dimensão global. O principal limitador, no Brasil, ainda são os altos custos da conexão. Neste cenário, surgiu o projeto freenet?, que visa discutir os rumos da web e lutar por uma conectividade mais igualitária.

Multinacional, o projeto propõe uma reflexão sobre aspectos como a conexão, a liberdade de expressão e a privacidade na rede por meio de oficinas oferecidas a jovens interessados no assunto. Estimular a produção de vídeos que relacionem a vida cotidiana com o uso da internet é só uma das missões do freenet, que vai culminar na construção coletiva de um documentário sobre possíveis caminhos para o futuro da rede.

A primeira oficina no país aconteceu em Teresina na última semana de janeiro e reuniu 15 jovens. Três minidocumentários foram criados pelos participantes nas duas semanas de curso, que alterna aulas práticas e teóricas. Jaqueline Bezerra, uma das jovens inscritas, voltou seu olhar para a cultura dos artistas de Teresina e analisou sua dependência da internet como ferramenta de trabalho. “Nós não temos um acesso bom à internet e tudo acaba acontecendo no cenário Rio-São Paulo, por isso é importante esta discussão no Nordeste, para divulgarmos a nossa cultura”, afirma Jaqueline.

Assista ao vídeo “Cultura e Internet no PI”, criado pela participante:

https://youtu.be/vgYI5ujt1kY

Os vídeos “Internet e Mobilizações Sociais” e “Wifi” também foram resultado da oficina:

https://youtu.be/bqLmzyLvxUY

https://youtu.be/rHXsV89kdA8

A ideia é que o projeto receba cada vez mais vídeos e sugestões -de entrevistas e temas- para se tornar um único documentário, produzido a partir da curadoria de todo o material.

Mesmo depois de terminar o curso, Jaqueline continua no freenet? e quer ajudar a levar o projeto adiante, seja com divulgação ou trabalhando como voluntária. “A intenção agora é criar uma rede, expandir, não adianta ser apenas uma boa ideia”, explica. A jovem trabalha com um quilombo da região, que não tem conexão à internet e nem sinal de celular, e pretende gravar depoimentos com os integrantes para divulgar sua realidade no projeto. “A internet é muito importante para eles, que precisam da rede para receber e divulgar informações”, conclui.

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