Apesar de o debate sobre o uso das TIC em sala de aula estar avançando consideravelmente no Brasil, alguns obstáculos ainda precisam ser superados. Atualmente, um projeto de lei em trâmite na Câmara dos Deputados visa proibir o uso de aparelhos eletrônicos móveis em sala de aula, como celulares e tablets.

A proposta prevê a proibição apenas quando o uso dos dispositivos não for pedagógico. Se as atividades ligadas às ferramentas forem propostas pelo educador, o uso é permitido. Porém, a lei pode criar uma barreira para a criação de novas maneiras de pensar o processo de ensino e aprendizagem e ir contra o curso natural da educação do século 21, onde o aluno se torna protagonista na sala de aula.

Escolas e projetos do mundo inteiro estão criando projetos inovadores e já sentindo resultados positivos a partir do uso dos dispositivos móveis. Um exemplo é o projeto Intercâmbio Cultural, uma parceria entre escolas brasileiras e argentinas, criada pela educadora Cristiane Rada Ferreira, onde os estudantes podem trocar experiências através de um aplicativo de celular.

Além disso, não sou poucos os aplicativos que têm surgido para ajudar na educação dos jovens. No Malawi, o sétimo país mais pobre do mundo, segundo a Oxfam International, um app chamado Masamu foi criado para ajudar crianças da educação primária a aprender matemática. Como resultado, as crianças começaram a aprender em seis meses o que antes levavam um ano.

Aqui no Brasil, um aplicativo desenvolvido pela Unicamp auxilia crianças com deficiência visual a também aprender matemática. O MiniMatecaVox foi criado para ser um apoio ao professor em sala de aula. Ainda falando em inclusão, o app alagoano Hand Talk traduz conteúdos para a linguagem de Libras em tempo real, o que pode ser essencial para alunos com deficiência auditiva.

Grandes empresas de tecnologia também já perceberam como as novas ferramentas podem criar novas oportunidades para a educação. O Google e a Apple, por exemplo, já contam com plataformas exclusivas para educadores. Com o Google Classroom, o professor pode se conectar com alunos, avaliar seu desenvolvimento através de tabelas e gráficos, compartilhar documentos, entre outras funções. No Apple Education, é possível encontrar dicas, programas, aplicativos e depoimentos de professores pelo mundo sobre boas experiências com tecnologias.

Segundo um estudo feito pela UNESCO, “Reading in the Mobile Era” (em tradução livre, Lendo na Era Móvel), os celulares podem melhorar os hábitos de leitura em países em desenvolvimento. Os sete países analisados na pesquisa foram Etiópia, Gana, Índia, Nigéria, Paquistão, Quênia e Zimbábue, e chegam a uma taxa de até 60% de analfabetos. O estudo concluiu que a chegada dos celulares aumentou e facilitou o acesso à leitura e à informação, já que bibliotecas, por exemplo, não são comuns em certas partes desses países.

Com todas essas ferramentas que já estão transformando a educação e as que estão surgindo, é cada vez mais comum e natural compreender o papel dos dispositivos móveis dentro das salas de aula no país.

E você, o que acha da lei que visa proibir o uso desses aparelhos na escola? Responda à nossa enquete na home do portal: https://www.institutoclaro.org.br/ 

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