A interatividade e o acesso cada vez mais democrático ao conhecimento pelos meios digitais estão provando que a educação deve se pautar no protagonismo de crianças e adolescentes. Presente em mais de 30 países, o movimento Design for Change nasceu com o propósito estimular a empatia, o protagonismo, a criatividade e o trabalho em equipe em jovens em idade escolar com o apoio de um educador. O projeto chegou ao Brasil em 2012 pelo Instituto Alana com o nome de Criativos da Escola, e se consolidou de vez no início de 2014.

O Criativos da Escola é baseado no Design Thinking, um conjunto de métodos e processos que estimulam a criação a partir da interação, investigação e experimentação. “Esse novo jeito de olhar para as situações que queremos mudar está presente em todas as etapas do Criativos”, explica Marianne Estermann, do Instituto Alana.

Todo educador que se interessar pelo projeto pode reunir um grupo de alunos para a experiência, que ocorre em quatro etapas: sentir, imaginar, fazer e compartilhar. Para implementá-lo, o educador recebe um guia com atividades sugeridas para cada etapa como, por exemplo, roteiro de observação pelo bairro e entrevistas com pessoas afetadas pela situação escolhida pelos alunos. “São muitas possibilidades que podem ser adaptadas pelo grupo, conforme suas intenções e recursos”, indica Marianne.

Até o momento, o Criativos da Escola já foi implementado em 8 escolas brasileiras. Uma das instituições, no Grajaú, bairro da zona sul de São Paulo, reuniu adolescentes para a criação de um documentário que conta a história da comunidade para valorizar o espaço em que vivem. O material de apoio já foi distribuído para mais de 700 educadores em todo o Brasil. Agora, os grupos também podem se inscrever no Desafio Criativos da Escola, que premiará as melhores iniciativas de transformação.

Um dos pontos fortes do projeto é a conexão dos alunos com o que está acontecendo nos outros países participantes. “Cada país tem liberdade para adaptar o projeto de acordo com o contexto, mas sem perder a essência que a abordagem propõe”, conta Marianne. Por exemplo, se um grupo escolhe o bullying como tema, ele pode se inspirar em soluções criadas por jovens de outros países sobre o mesmo assunto.

“Quando uma criança ganha a consciência de que ela pode mudar a realidade ao seu redor, com os recursos que ela tem, é transformador”, diz. Desta maneira, o jovem se sente parte da comunidade a que pertence e cria um novo vínculo com aquele espaço e aquelas pessoas. Marianne ainda indica que, além do processo ser enriquecedor para o aluno, é também importante para o educador que ganha reconhecimento da comunidade, da escola e dos alunos.

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