No segundo dia da etapa presencial do Campus Mobile, o desenvolvedor Bruno Koga, da Movile, falou aos participantes sobre o processo de desenvolvimento de aplicativos para iOS (sistema operacional dos aparelhos da Apple), desde a elaboração até os testes com usuários.
Koga trabalha no desenvolvimento de aplicativos com amplas bases de usuários, como o iFood, que agrega diversos serviços de entrega de comida em domicílio; o Apontador, que ajuda seus usuários a localizar serviços e estabelecimentos em sua região; e o Superplayer, um tocador de música semelhante ao Spotify e ao Grooveshark.
No entanto, o projeto que consome a maior parte do tempo de Koga é o PlayKids, um aplicativo lúdico e educativo voltado para crianças de até cinco anos, com histórias, vídeos e jogos. O aplicativo possui algumas funcionalidades grátis, mas trabalha também com um sistema de assinaturas que permite que novos conteúdos sejam acrescentados a ele regularmente. Segundo Koga, o PlayKids é o aplicativo mais lucrativo de sua categoria, e recebe diariamente mais de 300.000 acessos.
Por conta desse imenso volume de acessos, e pelo próprio modelo de negócios do aplicativo, que exige atualizações regulares, seis desenvolvedores iOS da Movile trabalham exclusivamente para o aplicativo infantil. Eles precisam estar constantemente atentos uns aos outros para evitar erros – que afetariam milhares de usuários, por menores que fossem. Foi sobre esse esquema de trabalho que Koga falou aos participantes do Campus Mobile.
De forma a otimizar o fluxo de trabalho, a equipe de desenvolvedores do PlayKids divide o trabalho em três etapas: Desenvolvimento, Análise e Verificação, e Distribuição. A primeira delas envolve o processo de criar e transformar em código novos jogos e novas funcionalidades para o aplicativo, e exige algumas precauções: como são seis pessoas trabalhando no mesmo código, a equipe usa alguns programas que têm a função de padronizar a escrita de cada um, além de tomar cuidado para tornar seu trabalho o mais inteligível quanto possível para os outros. Todo o código novo é sempre revisado por outra pessoa da equipe antes de ser incorporado.
Em seguida, a nova funcionalidade em desenvolvimento passa por um processo de análise e verificação, no qual diversos softwares, como o OCLint e o FauxPas, vasculham o seu código em busca de inconsistências e erros que podem causar transtorno para os usuários. Como o aplicativo é compatível tanto com iOS 7 quanto com iOS 8, a equipe também usa um programa que verifica se o código funcionará com os dois sistemas operacionais.
Após essa “limpeza” do código, a nova funcionalidade vai para a fase de teste. O PlayKids conta com mais de 300 usuários-testadores que, além dos cerca de 600 colaboradores da Movile, utilizam o novo conteúdo atentando para possíveis problemas. A empresa lança uma nova versão do aplicativo a cada 15 dias, às vezes com novidades e, em algumas ocasiões, apenas otimizando processos e corrigindo bugs.
Depois da palestra, os participantes foram ao trabalho desenvolver seus projetos. Para Rafael Guimarães, do projeto “Voluntarie-se”, foi particularmente interessante ouvir a experiência de alguém trabalhando como parte de um grande projeto. “Mesmo quando você trabalha em um aplicativo com mil usuários já aparecem problemas, com 300 mil acessos diários deve ser bem mais complicado”, diz.