Por Prima Página

Reconhecer a importância de controlar gastos e estabelecer prioridades financeiras é fácil. Difícil, pelo menos para grande parte das pessoas, é colocar tais condutas em prática e garantir um orçamento equilibrado, longe de excessos e dívidas. O cenário sustenta a defesa do especialista em educação financeira ao público infantil Álvaro Modernell por incluir a disciplina educação financeira em meio ao currículo escolar. Em entrevista ao NET Educação, o profissional não só justifica seu posicionamento, como explica de que maneira o tema pode ser trabalhado em sala de aula, e tece orientações de como os familiares, os professores e as instituições escolares podem se preparar para repassar tais conceitos adiante.

Graduado em administração de empresas, mestre em finanças e pós-graduado em metodologia do ensino, entre outros títulos, Modernell é membro do grupo de apoio pedagógico do Ministério da Educação (MEC) na elaboração do projeto piloto da Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef) nas escolas públicas. Seu nome também aparece em uma série de livros infantis, como “Zequinha e a porquinha Poupança” (2006), “O pé de meia mágico” (2007), “O poço dos desejos” (2007), “Paulina e o ipê-amarelo” (2007), “Versinhos de prosperidade” (2008), “Morango ou chocolate” (2010), “Quero ser rico – Rico de verdade” (2010) e “O Tesouro do vovô” (2011), além de outros materiais e cartilhas.

NET Educação: Como você define educação financeira e seus objetivos?
Costumo definir a educação financeira como um conjunto amplo de orientações e esclarecimentos sobre práticas e atitudes adequadas no planejamento e uso dos recursos financeiros pessoais. É importante não confundir esse conceito com o ensino de matemática financeira, administração da carreira ou investimento em ações.

Basicamente, a ideia é mostrar às pessoas a importância de se conservar as coisas, controlar os gastos, estabelecer prioridades e principalmente ensinar como é possível colocar tudo isso em prática. Sou favorável à introdução do assunto no ensino regular, pois acredito que fará bem não apenas às crianças, mas a todo o País no futuro.

NET Educação: A partir de que momento a educação financeira já pode ser trabalhada com uma criança? Por quê?
Não existe um consenso quanto à idade mais indicada para se iniciar este tipo de aprendizado. Mas boa parte dos especialistas considera 6 anos uma boa época, já que é quando a criança começa a ter maior contato com letras, números e está mais disposta a receber conteúdos estruturados.

Nessa fase, fica-se mais próxima de uma assimilação natural. Já praticamos isso com outras questões, como as de ordem ambiental, por exemplo, ao ensinar uma criança a escovar os dentes com a torneira fechada. Com o tempo, vemos os filhos corrigindo os pais com condutas erradas. Com a questão financeira é a mesma coisa.

NET Educação – Como teve início o seu trabalho de educação financeira com o público infantil?
Posso dizer que nasci de novo quando me tornei pai, há 10 anos. Desde então, passei a me envolver com literatura infantil, e as aulas e os cursos que eu dava para adultos ficaram um pouco de lado. Hoje, prefiro trabalhar com esse público justamente por causa daquele ditado que diz que é melhor educar uma criança do que punir um adulto. Elas trazem retornos mais compensadores, e uma série de estudos aponta que a pessoa se forma na infância, quando está mais receptiva para esse tipo de conteúdo.

NET Educação: Qual o método mais indicado para passar noções de educação financeira a uma criança? Quais abordagens você recomenda?
Não se pode dizer que exista um método mais adequado do que o outro. A diversidade de crianças é tão grande que o mais indicado é que o professor conheça várias linhas de pensamento para que utilize a mais adequada para o seu público. O bom educador deve contar com diferentes recursos, como livros, jogos, teatro, textos e exemplos, pois alguns alunos são mais visuais, outros mais auditivos. Se houver um bom repertório, as chances de tornar a aula mais atrativa serão maiores.

O grande problema são as escolas que tentam ensinar para as crianças como se fossem pequenos adultos. Para ser eficiente, é importante traduzir os conceitos para a linguagem delas, usando exemplos e dicas pertinentes ao universo infantil. Vale se apoiar em ilustrações interessantes e até mesmo fábulas.

É preciso que as pessoas assimilem como uma forma natural de agir o fato de pesquisar preços, comparar qualidade, buscar descontos e formas de pagamento vantajosas. E tudo isso, por se tratar de crianças, deve ser feito de uma maneira lúdica.

NET Educação: Como trabalhar a educação financeira com um jovem?
Basicamente, o que muda são o tipo de linguagem, a abordagem e a profundidade. Os objetivos são os mesmos, além das ferramentas. Mas a forma com que devem ser utilizados é diferente.

NET Educação: Quais devem ser os papéis dos pais e da escola na educação financeira?
A educação financeira deve contar com contribuições vindas tanto de casa quanto da escola. O colégio ensina principalmente a teoria, enquanto a família fica mais encarregada de colocar tais conceitos em prática. Por isso, é importante que os pais também busquem se informar sobre o tema, conhecer o material utilizado na escola, visitar sites e principalmente conversar com os professores para saber o que está sendo passado e tentar alinhar isso com a conduta dentro de casa.

NET Educação: Como o professor pode se preparar para desdobrar o conceito com seus alunos? Recomenda alguma bibliografia específica?
A falta de professores capacitados é o calcanhar de Aquiles da educação financeira noPpaís. Os docentes ainda não estão preparados, e vai ser necessária uma transição para que isto aconteça, o que deve levar de uns 5 a 10 anos. Uma boa maneira é buscar uma bibliografia diversificada, pois já existem dezenas de títulos infantis sobre educação financeira nas livrarias.

A importância de não ficar em apenas um autor ou editora está justamente na possibilidade de ter um repertório variado para usar em aula. Como exemplo, além dos meus livros, destaco autores como Jonas Ribeiro, Ruth Rocha, Cora Coralina, Ziraldo e Maurício de Sousa.

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