A 9ª edição da Campus Party Brasil, que discutiu diversos temas ligados à tecnologia, como o empreendedorismo, também trouxe debates sobre a educação. Em uma das palestras, o consultor em gestão de projetos de tecnologia, Vanderlei Martinianos, falou sobre o futuro do ensino em uma realidade imersa no mundo digital.

Vanderlei adquiriu formação em Engenharia das Tecnologias Educativas pela Université de Poitiers, na França, país onde mora hoje devido ao cargo que ocupa na diretoria na faculdade de informática École 42. Sobre a instituição, comentou seu método pedagógico: é uma escola aberta, sem professores, que utiliza os MOOC, funciona 24h por dia e é fundamentada no desenvolvimento de projetos. O objetivo é aprimorar os conhecimentos de programação dos alunos e desenvolver uma mão de obra qualificada para atuar a área.

O especialista conta que a tendência é que escolas e universidades adotem métodos de ensino semelhantes ao citado acima, que utilizam cada vez mais ferramentas digitais em seus processos e tenham uma pedagogia mais livre e independente. Isso significa que a educação no futuro será baseada em um novo pressuposto, o da personalização, em que o aluno aprende aquilo que o interessa, que está conectado à sua vida e seja cada vez mais autônomo e empoderado.

Para Vanderlei, é essencial converter o foco das crianças e adolescentes em algo produtivo e isso só é possível a partir da quebra dos paradigmas atuais. Felizmente, uma série de ferramentas têm surgido para facilitar essa transição e guiar os educadores neste novo universo. Neste momento, o papel dos professores passa a ser o de mediação do saber.

Já existem, contudo, iniciativas que abraçam os novos tempos e acompanham as mudanças, além da École 42. Apesar de existir um plano de trazer uma iniciativa semelhante à faculdade francesa ao Brasil, já temos grandes exemplos nacionais, como as escolas de medicina. Para as aulas, os alunos contam com uma série de máquinas e dispositivos que os ajudam a conhecer muito bem o corpo humano antes de precisar de fato abrir um, por exemplo.

Outro exemplo é a Escola Básica da Ponte, em Portugal, que segue as ideias de Célestin Freinet, que defendia uma integração da escola à realidade dos estudantes, e de Paulo Freire. Desde sua fundação, na década de 1970, é baseada nos conceitos das Escolas Democráticas, como a pedagogia libertária, em que os alunos são mais independentes, gerenciam seu próprio tempo, são estimulados a gostar de aprender e não existem relações hierárquicas.

Foi também mencionada a situação das escolas da Finlândia, que a partir deste ano adotaram um novo currículo para serem completamente transdisciplinares. Para o educador finlandês e conselheiro político Pasi Sahlberg, essa experiência “mostra que é possível alcançar excelência ao focar não na competição, mas na cooperação, e não em escolhas, mas na equidade”.

Por fim, Vanderlei falou sobre tendências e fez algumas previsões sobre o que ele chamou de escola 2.0. Além do desenvolvimento do ensino personalizado, algumas ferramentas serão cada vez mais exploradas, como os MOOC e a transmídia, que significa trabalhar o mesmo conteúdo em diferentes meios. Além disso, haverá cada vez mais engenheiros educacionais e o poder dos educadores será redistribuído.

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