O conceito de aprendizado móvel é recente, mas já atrai olhares de pesquisadores no mundo todo, inclusive no Brasil. Um dos nomes que está se debruçando sobre o tema é o educador Wagner Merije, que lançou seu livro “Mobimento” na última Bienal do Livro, no mês passado, em São Paulo. Resultado de uma pesquisa sobre o fenômeno “mobile”, a publicação conta a história do uso do celular no Brasil, seu impacto na educação e na cultura e a trajetória do projeto MVMob (Minha Vida Mobile), idealizado pelo autor.
O uso dessas tecnologias na educação vem transformando as tradicionais relações existentes nas escolas. “O educador não é mais o único detentor de conhecimento”, afirma Merije, explicando que o uso do celular proporciona a opção de o aluno aprender de diversas formas diferentes, em lugares além da escola.
O livro apresenta histórias e referências de atividades que educadores estão disseminando nas escolas de diferentes partes do globo, a partir das tecnologias móveis. Na opinião do autor, o ensino mobile está crescendo, mas muitos professores ainda estão com um pé atrás quando se trata de tecnologia. “Eles sentem receio de trabalhar com ferramentas que ainda não dominam ou desconhecem”, explica.
Voltado para educadores, estudantes e interessados no mundo mobile, “Mobimento” tem a intenção de quebrar barreiras sobre o uso de tecnologias nas escolas e mostrar como é possível aderir a este novo modelo de ensino. Para Merije, “a mobilidade é um caminho sem volta”. Para conhecer algumas páginas do livro, acesse o site do projeto MVMob, projeto que deu origem ao livro.
O caminho das pedras para quem está aderindo agora ao aprendizado móvel
– Investigue o que os estudantes conhecem sobre mídia e como se relacionam com ela.
– Faça um levantamento dos recursos de que a escola/instituição dispõe. Relacione computadores, televisores, aparelhos de vídeo e DVD, máquinas fotográficas e de vídeo, celulares, gravadores de voz e microfones. Todos esses equipamentos podem ser ferramentas de ensino e devem ser disponibilizados para os educadores e educandos. Não dá para ter um controle autoritário do uso. Empregar novas mídias para favorecer a aprendizagem é falar em processos de criação. Por isso, o ponto de partida é a liberdade de acesso, com responsabilidade!
– Familiarize-se com o básico do computador e da internet: conhecer processadores de texto, correio eletrônico e mecanismo de busca faz parte do saber mínimo.- Antes de iniciar seu plano de ação, certifique-se de que você compreende as funções elementares dos aparelhos e aplicativos que pretende usar na atividade.
– Mapeie os educadores e educandos que possuem recursos tecnológicos e suas capacitações técnicas, pois serão ótimos aliados e parceiros. A parceria não diminui a autoridade do educador. A apropriação do saber e sua postura de educador permitem que seja respeitado pelos seus educandos. Além de ser uma oportunidade de incentivar a solidariedade e a construção coletiva de conhecimentos.
– Promova a capacitação da equipe pedagógica. Se ainda há estranhamento dos aparelhos ou até no manuseio de um mouse, isso não é motivo de vergonha. Crie um espaço para a formação dentro do horário coletivo de trabalho e passe a refletir sobre a montagem de projetos usando novas mídias. Aproveite sempre os saberes dos educadores que já dominam as linguagens, para compartilhar com os demais.