Desde que foi realizado pela primeira vez, em 2012, o Campus Mobile ofereceu a dezenas de jovens a oportunidade de imergir no mundo dos aplicativos e do empreendedorismo, entrando em contato com diversos profissionais de sucesso no ramo e compartilhando experiências e conhecimento. Como contam alguns dos antigos participantes, essa vivência abriu novas portas para eles, que até então nunca haviam tido contado com esse universo de uma forma tão intensa.
É esse o caso de Daniel Leite e Júlio Rocha, criadores do aplicativo Busão, que disponibilizava informações sobre o tráfego na cidade de Campina Grande, na Paraíba, e o itinerário das linhas de ônibus locais. A dupla conquistou o terceiro lugar na primeira edição do evento e revela que o concurso foi o primeiro passo para entrarem nesse mercado e despertar sua veia empreendedora, conhecendo todo o processo de planejamento e logística necessários para se destacar nesse meio.
O Busão funcionou durante um ano e teve uma boa recepção do público, mas a falta de tempo e de parceiros – como empresas de ônibus ou a Secretaria Municipal de Transporte – levaram Leite e Rocha a desativá-lo. Não pretendem voltar a trabalhar com esse projeto, mas o consideram o “ponta pé inicial” que precisavam: desde então, já tiveram muitas ideias e algumas foram colocadas em prática.
Em 2013, participaram do II Encontro Nacional de Dados Abertos (ENDA), uma parceria da W3C Brasil com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão para promover uma discussão sobre os dados governamentais. A dupla criou uma plataforma que indica a localização de diversos postos de serviços públicos, como cartórios, escolas, hospitais, polícia, etc. em todas as cidades do país. Essas informações estão disponíveis para toda a população, os jovens encarregaram-se de reuní-las em um site.
Trajetória semelhante foi a de Carlos Daniel Reisig e Glauber Borges, que chegaram ao quinto lugar no primeiro Campus Mobile com seu aplicativo Visi, que dá suporte a compra, venda e aluguel de imóveis, mas não chegou a ser lançado. O projeto foi tema do Trabalho de Conclusão de Curso dos jovens, hoje, formados pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, e essa abordagem acadêmica rendeu um embasamento teórico com o qual não tiveram contato antes.
Os cariocas compartilham a visão dos antigos concorrentes e afirmam que o evento lhes mostrou as técnicas necessárias e as dificuldades de criar um aplicativo e, principalmente, de abrir seu próprio negócio, “uma tarefa difícil, mas apaixonante”, como descreve Borges. Foi, também o “empurrãozinho” que precisavam para criarem sua própria start-up, a Evin, que tem como objetivo suprir as dificuldades de lançar uma nova ideia no mercado e de fazer contatos. Assim, seu empreendimento funcionará como uma incubadora de ideias que facilitará esse intercâmbio de conhecimento.
Contudo, a dupla ainda não terminou sua carreira no mundo dos aplicativos e pretende ainda voltar a trabalhar com o meio, seja com o Visi ou não. Sobre este projeto, Reisig e Borges acreditam ser muito interessante para o mercado mobiliário e que pode haver, no futuro, mais espaço essa iniciativa crescer e se desenvolver.