Imagine poder conversar e tirar dúvidas educacionais com um robô, por meio de aplicativos de mensagem? Pois este é o princípio do chatbot, termo em inglês que mescla as palavras chat (conversa) e bot (abreviação de robô). 

Os chatbots não são uma novidade no campo educacional. A primeira assistente virtual programada para atender estudantes foi a ALICE – iniciativa da Universidade Lehigh (EUA), de 1995. No Brasil, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) desenvolveu a Profª Elektra, em 2002, para dúvidas de física. O projeto que ainda continua em atividade. 
 
Contudo, os chatbots passam agora por uma nova primavera. “Após o lançamento dos canais em aplicativos que a maioria dos usuários já está acostumada – como Messenger, Telegram, Skype – e da disponibilização de melhores ferramentas para os desenvolvedores, ocorreu esse aumento expressivo do desenvolvimento de chatbots”, relata o co-criador do Mr.Enem, Bruno Nunes. O Mr.Enem é um chatbott hospedado no Facebook Messenger que auxilia, gratuitamente, quase mil pessoas a estudarem para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).  
 
Além disso, bons exemplos de que a tecnologia veio para ficar foi a liberação do Facebook Messenger para receber os bots e uma mudança nos termos de serviço do WhatsApp que também sugere que esses assistentes virtuais devem aportar em breve. 
 
Tecnologia de ponta
Mas como exatamente um chatbot funciona? “Para responder uma questão, o robô precisa transcrever o áudio de um usuário em texto. Em seguida, processadores de linguagem natural extraem significado e características da pergunta. Dessa forma, o computador ‘entende’ o que o aluno perguntou”, descreve o especialista em inteligência artificial do CESAR (centro de inovação que cria produtos, serviços e negócios com Tecnologias da Informação e Comunicação – TICs), João Paulo Magalhães. 
 
A partir disso, o chatbot lança mão de contextos que foram armazenados nas suas últimas interações e de uma base de conhecimento na área de interesse para buscar uma resposta lógica. Ele ainda pode pesquisar em serviços de buscas, de tradução, dicionários e livros virtuais. “Ao final, todas respostas são avaliadas e a melhor delas é disponibilizada via texto ou áudio”, aponta Magalhães. 
 
O Mr. Enem, por exemplo, funciona disponibilizando um banco de questões das edições anteriores da prova e oferecendo feedbacks bem-humorados sobre o desempenho de cada usuário.  “O usuário pode solicitar novas questões ou ver o desempenho por meio de botões disponibilizados para este fim”, explica Nunes. 
 
Personalização e motivação
O futuro é promissor para os chatbots na área educacional. “O uso de sistemas multimídia interativos, associados com tutores inteligentes, possibilitam uma aprendizagem ativa. Nesse sentido o chatbot tem um grande potencial para ajudar a manter o aluno interessado e motivado”, opina a coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Informática na Educação da Ufrgs, Liane Margarida Rockenbach Tarouco. 
 
Já para Magalhães, o chatbot pode ajudar a resolver dois problemas bastante atuais: expandir a educação para quem ainda não a recebe adequadamente e oferecer uma aprendizagem individual e mais personalizada. Além disso, ele aponta a tendência da tecnologia ficar cada vez mais ”humana”. 
 
“Em 2016, um professor da Georgia Institute of Technology programou o Watson da IBM para ser seu assistente virtual durante um semestre em um curso online, nomeando-o Jill Watson. Jill teve a companhia de outros oito assistentes humanos e este detalhe não foi revelado aos alunos”, relata. 
 
Jill foi treinado com milhares de questões e respostas dos fóruns de discussão dos semestres anteriores, e só era autorizado a responder uma pergunta caso tivesse 97% de certeza. “O resultado é que ele foi considerado um assistente acima da média pelos alunos, que não perceberam se tratar de um assistente virtual”, finaliza Magalhães. 
 
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