Até o final de 2015, um projeto especial do Ministério da Educação (MEC) tem como objetivo incluir o trabalho com a Matemática Financeira em 3.000 escolas públicas brasileiras. Junto a isso, um estudo realizado pelo Banco Mundial concluiu que o ensino desse conteúdo a alunos de Ensino Médio pode provocar um aumento de 1% no PIB de um país.
Com o assunto em voga, Valéria Garcia Dias, professora de Matemática de São Paulo, conversa com o Instituto Embratel Claro a respeito do Projeto Educação Financeira nas Escolas, do MEC.
Apesar de não concordar completamente com a possibilidade de um impacto tão direto na economia quanto o indicado pelo estudo do Banco Mundial, Valéria concorda que o efeito desse aprendizado na vida das pessoas é extremamente positivo. “Este assunto é fundamental para que as crianças entendam o nosso sistema monetário, e saibam como utilizá-lo sem desperdício”, explica ela. Por meio de atividades apropriadas para alunos de diferentes idades, a professora acredita que é possível passar aos alunos noções de Matemática Financeira e de conceitos relacionados a ela, como porcentagem, juros, prestações e a noção de poupança (índices).
Sejam presentes no currículo como disciplina “autônoma” ou como conteúdos das aulas de Matemática, as noções de educação financeira podem ser facilmente assimiladas pelos alunos. Mas, para que tenha bons resultados, o trabalho exige planejamento contínuo e a seleção de temas adequados a cada série ou faixa etária dos estudantes. “Acredito que deveria existir uma sequência de assuntos, para não se tornar repetitivo. Por exemplo:
– Gastos diários;
– Porcentagem anual dos índices da poupança;
– Índices do cartão de crédito;
– Média dos salários dos brasileiros”, exemplifica a professora.
Para Valéria, quando o aluno se familiariza com esse assunto ainda ‘pequeno’, consegue enxergar os juros abusivos no cheque especial, e principalmente no cartão de crédito. “A maioria das pessoas não sabe economizar, não tem conhecimento sobre o assunto”.
Para cada faixa etária, há tipos de atividade mais efetivas. Com crianças menores, por exemplo, Valéria sugere a elaboração de atividades mais divertidas, utilizando-se de artifícios como uma lojinha ou mercadinho onde as crianças comprem e vendam com o uso de dinheiro fictício.
Já com alunos mais velhos – nos anos finais do Ensino Fundamental ou do Ensino Médio -, a ideia da professora é abordar o assunto com conversas mais sérias, passando por um papo sobre os gastos dos próprios estudantes, que podem ser organizados, por exemplo, em planilhas no Excel.
Com relação ao uso da tecnologias no ensino desses conteúdos, a professora se diz bastante de acordo. “A aplicação de planilhas do Excel, por exemplo, auxilia muito o trabalho do professor”, conta ela. A dica vale, também, para o uso de pesquisas de dados e gráficos de análise.
Valéria frisa que, além de ajudar os estudantes e futuros cidadãos a tomarem decisões mais conscientes na hora de comprar, o ensino de ideias aplicadas ao dinheiro pode estimular o empreendedorismo nos jovens, que saberão melhor como aplicar dinheiro e transformá-lo em lucro.
Siga as dicas da professora e inclua os conteúdos no dia-a-dia dos seus alunos. Depois, compartilhe sua experiência conosco!