Em dezembro acontece a 6ª edição do prêmio Educar pela Igualdade Racial, que tem como objetivo destacar iniciativas da sociedade civil comprometidas na construção de uma educação igualitária e de qualidade social. Organizado pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), neste ano foram 32 finalistas e 16 serão premiados. O NET Educaçãoconversou com Cida Bento, Doutora em Psicologia Social pela USP e diretora executiva do CEERT , sobre o prêmio e a importância da Cultura Afro no currículo escolar.
NET Educação – Como é o trabalho do CEERT, na área da educação?
Cida Bento – atuamos em duas frentes de trabalho. Uma voltada para o lado jurídico, atuando na identificação e criação do tratamento da diversidade humana e da pluralidade cultural na escolarização regular. Um exemplo foi o trabalho que fizemos junto ao Ministério Público para monitorar e auxiliar 40 prefeituras para a implementação da Lei 10.639/2003, que obrigada o ensino da História e Cultura Afro-Brasileiras nas escolas.
Outra frente é o prêmio, que trata de mapear as experiências desenvolvidas por professores, com foco na igualdade racial. E a maioria aborda práticas da cultura afro, realizada a partir da sua realidade, como o Maracatu*.
NET Educação – Como são essas experiências que vocês recebem durante as inscrições do Prêmio?
Cida Bento – Podemos observar que há experiências em todo país, sem a dependência de verba pública, que conseguem implementar a Cultura Afro na sala de aula de forma natural e bem aceita. E o mais interessante é que a maioria dos participantes são mulheres brancas e negras, o que mostra que a preocupação está em todos, e não em uma raça.
NET Educação – E como você vê a implementação da Lei nas escolas?
Cida Bento – Acho que está sendo bem aceita e a Lei foi uma forma de o tema entrar de uma vez no currículo, mas ele sempre devia ter estado lá, pois tivemos uma predominância da história europeia. E a Cultura Afro tem mais a ver com o nosso povo.
NET Educação – Quais são os desafios para levar o tema para a sala de aula?
Cida Bento – Ainda há muitos desafios a enfrentar, como na Literatura, que ainda traz em sua maioria histórias como Branca de Neve, Cinderela e poucos livros com rostinhos com características africanas. Outro problema, ainda maior, é a mídia. Todo mundo assiste televisão e ainda há muita ridicularização dos negros nas novelas e programas de humor. É preciso mudar essa cultura.
NET Educação – E como você vê a participação dos alunos nessas aulas?
Cida Bento – Os alunos ficam super envolvidos. Nas apresentações dos projetos, a gente vê as meninas brancas com tererês** no cabelo, se envolvendo com a cultura africana.
6º Prêmio Educar para a Igualdade
A cerimônia de premiação acontece nos dias 11 e 12 de dezembro, no SESC Vila Mariana, em São Paulo. O evento contará também com uma exposição dos melhores trabalhos que já concorreram ao prêmio em seus doze anos de existência. No dia 11 de dezembro ocorrerá a premiação. No dia 12, os professores premiados participarão de um curso de formação no Museu Afro Brasil, no Parque do Ibirapuera.

Vencedores da 5ª edição do prêmio Educar pela Igualdade Racial
*Ritmo tradicional do Nordeste do Brasil. Em Recife e Olinda, no coração de Pernambuco, desenvolveu-se há mais de 400 anos. Música e tradição dos escravos, um traço da cultura negra no Brasil.
**Aplique de linhas coloridas sobre uma trança de cabelo natural.