O Brasil praticamente universalizou o acesso à Educação Básica. 98% das crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos frequentam a escola. O país, agora, tem duas missões importantes: ampliar o número de vagas na Educação Infantil (creches e pré-escolas) e conter a evasão e o abandono escolar no Ensino Médio – hoje, quase metade dos adolescentes que chega a este nível de ensino desiste antes de concluí-lo.

A média de acesso à escola em países latino-americanos não é muito diferente da realidade brasileira. Para entender melhor este panorama, vamos analisar alguns números da Educação Básica e discutir brevemente quais são os principais pontos de ação – aqueles em que ainda precisamos avançar muito para alcançar níveis de excelência.

• Aos 7 anos, 98% das crianças está matriculada em uma escola. Aos 17, somente 65% continuam estudando. A Guatemala é o país com o pior índice de escolarização nesta idade: apenas 46,2% dos adolescentes conclui o nível de ensino equivalente ao nosso “Ensino Médio”.

• Não coincidentemente, também é na Guatemala que os professores enfrentam os problemas mais graves de formação. 64% dos docentes guatemaltecas sequer concluiu o Ensino Médio.

• Além das barreiras de acesso à escola, é preciso considerar, ainda, a infraestrutura: 24% das instituições escolares não possuem sequer água potável; pouco mais de um terço possui biblioteca – item elementar para garantir a qualidade do ensino –; e 35% das escolas contam com laboratórios de informática – índice que é bastante díspar no Chile e em Cuba, onde 90% das escolas já possuem computadores.

• A média de investimento em educação nos países latinos é de 4,1% do PIB. Se tomarmos por base os países pertencentes à OCED (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a média de investimento sobre para 6,2% do PIB. Ou seja, investir mais ajuda a desenvolver melhor os planos de carreira dos educadores; contribui para melhorar a infraestrutura das escolas, os sistemas de gestão escolar e a formação docente.

• Não à toa, os dados do PISA (Programa Internacional de Avaliação Comparada) – exame que mede a qualidade da educação em 57 países – mostram que o Chile é o país da América Latina com o maior investimento per capita por aluno e, consequentemente, com os melhores resultados em Ciências e no desenvolvimento de competências de leitura e escrita nos alunos. Os investimentos e a reforma educacional que o país tem feito nos últimos 20 anos têm gerado bons resultados na Educação Básica.

• A Colômbia, por sua vez, tem um belo programa de criação de bibliotecas públicas que, além de contribuir com os processos educativos tradicionais, criam elos nas comunidades onde estão inseridas e funcionam como uma espécie de “antídoto” contra a violência – já que os prédios são construídos, muitas vezes, na divisa entre comunidades rivais da periferia de grandes cidades, como a capital Bogotá, e tornam-se pontos de encontro neutros.

• México e Argentina têm desempenhos semelhantes e ainda inferiores ao do Chile, mas apresentam avanços constantes. A Argentina, inclusive, é um expoente de boas pesquisas didáticas, cruciais para se alcançar a tão necessária qualidade do ensino.

Para saber mais sobre os principais avanços e desafios da educação brasileira e de nossos vizinhos, vale consultar este estudo comparativo e as informações disponíveis no site do Programa de Integração Educacional dos países do Mercosul.

E, para inspirar, aí vai um link do “Classroom Portraits”, um projeto de fotografia do britânico Julian Germain, que registrou diferentes salas de aula em todo o mundo, como a que você vê no topo deste texto.

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