Nos últimos cinco meses, Douglas Batista, Jaylon Silva e Moisés Meirelles, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), mergulharam de cabeça no mundo do empreendedorismo e da tecnologia. Em dezembro do ano passado, foram selecionados para participar do programa Campus Mobile e, desde então, passaram por uma formação online, uma maratona de programação, palestras ministradas por um time de referências na área e muito compartilhamento de ideias. Tudo isso para colocar em prática sua ideia de aplicativo, o Minha Leitura. Todo o esforço durante o período não foi em vão e os empreendedores terminaram o programa como vencedores da categoria Tecnologias Sociais.
A ferramenta criada tem como objetivo final incentivar a leitura daqueles que têm o hábito de abandonar um livro pela metade e de quem precisa de um ‘empurrãozinho’ para começar uma nova leitura. Tudo isso, de um jeito simples: o app tem funções como estabelecer uma meta de páginas por dia ou acionar um alarme em uma hora determinada para retornar à obra. Assim, quem está acostumado a não chegar ao fim de uma história, poderá organizar-se melhor para concluí-la.
Em entrevista ao portal do Instituto Embratel Claro, o trio contou como foi essa experiência e o trabalho com o aplicativo. O projeto, já disponível para download para o sistema Android, é a principal preocupação do grupo no momento: “por ora estamos focados nisso, não temos outro aplicativo em vista”, comentou Batista.
Todo esse trabalho, porém, não diminui as expectativas para a viagem dos campeões ao Vale do Silício – prêmio que receberam na competição. Eles passarão uma semana em imersão na Universidade de Stanford e conhecendo grandes projetos das empresas da região.
Leia a entrevista completa com os participantes (e inspire-se para colocar a sua ideia em prática):
Instituto Embratel Claro: Qual foi o maior desafio para vocês durante o projeto?
Equipe Minha Leitura: O maior desafio foi o de tirar a ideia do aplicativo do papel e transformá-la em um produto. Fizemos várias mudanças durante o programa, tínhamos que, a cada momento, avaliar o que era prioridade para fazer e como iríamos fazer. Tirar os protótipos do papel e passar para o aplicativo foi, com certeza, uma tarefa trabalhosa que, sem dúvida, foi superada com a ajuda dos tutores [do Campus Mobile] e com a ajuda dos possíveis usuários do aplicativo com os quais conversamos.
IEC: O que vocês aprenderam durante a experiência do Campus Mobile?
EML: A experiência foi incrível, creio que o maior aprendizado para nós foi o de acreditarmos em nós mesmos, pois inicialmente não imaginamos que pudéssemos chegar ao nível que chegamos com o aplicativo. Também vimos que há muitas oportunidades e pessoas que estão dispostas a nos ajudar, não apenas como profissionais, mas também no âmbito pessoal. Creio que os relacionamentos que fizemos foram extremamente importantes para o nosso avanço.
IEC: Como foi a última fase? O que mudou nesta 3ª fase em relação ao começo do programa?
EML: A última fase foi a mais intensa, nos esforçamos imensamente a cada dia e comemorávamos juntos cada avanço e meta cumprida. Algo muito diferente e que nos ajudou muito nessa terceira fase foi a questão das metas que foram estipuladas pela banca. Com as metas foi muito mais fácil traçar um caminho para nossos esforços, pois tínhamos claramente aonde queríamos chegar e com isso conseguimos ver mais rapidamente o resultado do nosso trabalho.
IEC: Quais os diferenciais do aplicativo? Por que vocês acreditam que é um serviço que vai chamar a atenção dos usuários?
EML: Como diferenciais podemos citar o design e usabilidade do aplicativo, pois é de fácil entendimento e simples de utilizar. Além de ser algo novo, pois não encontramos outro aplicativo em português que realiza essas funções. A proposta do app é muito atrativa, pois ler é algo que muitas pessoas têm desejo, mas têm dificuldades para adquirir o hábito, e nossa proposta é ajudar as pessoas a se tornarem grandes leitores.
IEC: Como ele irá incentivar a leitura?
EML: Primeiro, organizando a leitura do usuário, permitindo que ele tenha uma visão clara de quais livros está lendo e quais concluiu. O incentivo principal se dá pelas notificações que avisam o usuário o horário de sua leitura, fazendo com que ele sempre se lembre de ler um pouco. O aplicativo também incentiva a leitura através da divisão de páginas por dia, pois o usuário consegue visualizar mais facilmente quantas páginas ele precisa ler por dia para terminar o livro até determinada data. Outro mecanismo que futuramente será implementado é a questão de recompensas, por exemplo, dar pontos por cada livro que o usuário lê, montando um ranking de leitores.
IEC: Como está sendo o retorno do público desde que o aplicativo foi lançado?
EML: Temos visto um retorno positivo. Muitas pessoas comentaram conosco que baixaram o aplicativo, além dos muitos comentários na loja de aplicativos e dos mais de 500 downloads. Perguntamos também para algumas pessoas se elas tiveram dificuldades para utilizá-lo e nenhuma nos deu um retorno negativo. Pelo que percebemos até agora o público está bem engajado com a proposta.
IEC: Para vocês, qual a relevância do Campus Mobile para os estudantes que querem empreender?
EML: Acreditamos que o Campus Mobile abre a visão sobre o empreendedorismo, traz uma visão mais clara sobre as tecnologias, tendências e o mercado de aplicativos. O concurso ajuda a ver onde devemos investir nossos esforços e como podemos crescer com a proposta do aplicativo. Dá as ferramentas e ajuda a transformar a ideia em um produto que pode ter muito sucesso.
IEC: Quais são suas expectativas para a viagem ao Vale do Silício?
EML: Como um polo tecnológico, a viagem ao Vale do Silício, além da grande experiência profissional, vai nos trazer formas e métodos que grandes empresas utilizam para aprimorar o produto. Esperamos ver as tendências e o que há de novo em questão de tecnologia. Esperamos fazer conexões com pessoas que possam nos ajudar em nossa caminhada, queremos aproveitar ao máximo todo o ecossistema da região para que possamos trazer essa experiência para cá e contribuir com o ecossistema do sudoeste do Paraná, nosso estado.
IEC: Que dicas vocês dariam para quem está começando?
EML: A dica principal seria o de acreditar em sua ideia, pois no início do Minha Leitura a ideia não foi aprovada em um concurso do qual participou. Além disso, uma dica muito importante seria a de conhecer o mercado e as pessoas que possivelmente vão utilizar o produto, porque se o aplicativo não resolve uma necessidade das pessoas, possivelmente não crescerá.