O Campus Mobile, evento promovido pelo Instituto Claro em parceria com o LSI-TEC, da Universidade de São Paulo, já está em seu segundo dia. Os 60 participantes selecionados para desenvolver seus aplicativos e defendê-los para uma banca examinadora, estão reunidos em uma maratona de programação, conhecida como hackaton. Durante esta semana, os estudantes, que vêm de todas as regiões do país, vão aprender com uma série de oficinas e palestras, compartilhar conhecimento e trabalhar as suas ideias de aplicativos nas categorias Empreendedorismo e Tecnologias Sociais.
Muitos dos projetos deste ano apostam na colaboração dos usuários como trunfo. Sâmia Nogueira e Gisele Peixoto, estudantes de Administração e de Publicidade que vieram de Fortaleza, perceberam que a população poderia ajudar os agentes de tráfego, criando um mapa de ocorrências da cidade. O objetivo é fazer com que os usuários indiquem acidentes e imprudências que veem no trânsito, pelo celular. “Nós queremos que as pessoas sejam mais críticas e ativas. Não adianta apenas apontar um problema, também devemos sugerir soluções”, conta Sâmia, responsável pelo app que vai se chamar Rotran.

Henrique Guarnieri e Thales Borzani, estudantes da UFSCAR, em São Carlos, decidiram ajudar quem quer fazer trabalho voluntário, criando um banco de iniciativas e organizações dispostas a contar com a ajuda. E eles não querem apenas unir informações, mas também indicar as melhores possibilidades para cada perfil de voluntário, com um questionário elaborado em conjunto com o departamento de Psicologia da Universidade. “Muitas vezes as pessoas querem ajudar, mas não sabem a quem e nem como. Por isso queremos criar esse ‘filtro’ e contribuir”, explica Henrique.

Na categoria Empreendedorismo, Pedro Góes e Nivaldo Bondança, também de São Carlos, estão desenvolvendo o Garça, aplicativo que permite a interação entre restaurantes e consumidores. “Ele guarda dados dos clientes e permite que, numa próxima vez, os donos do estabelecimento possam saber mais sobre o que o consumidor gosta de comer, quanto costuma gastar etc.”, explica Pedro. Para que seja benéfico para ambos os usuários, o consumidor poderá conferir o cardápio fazer pedidos pelo celular.

O principal ponto em comum entre os três projetos é o interesse e a busca por parcerias, para construir coletivamente e enriquecer os aplicativos. Henrique e Thales fizeram uma parceria com o departamento de Psicologia da universidade; Pedro e Nivaldo passam dias em restaurantes testando a viabilidade da ferramenta; e Sâmia e Gisele pretendem procurar as organizações de engenharia de tráfego de Fortaleza para entender melhor as necessidades da região.
O Campus Mobile continua até sexta-feira, com a divulgação dos projetos vencedores no final do dia. Entre os prêmios estão três viagens para o Media Lab do MIT, em Massachussets, nos Estados Unidos, e até R$ 5 mil em dinheiro para o financiamento do projeto.