Na década de 1960, a Diocese de Santarém iniciou na cidade paraense o Movimento Educação de Base – projeto de alfabetização de adultos por meio de aulas de rádio, realizado com suporte da Rádio Rural. Este trabalho foi a inspiração para o projeto Rádio pela Educação, implementado em 1999 com a ajuda da Unicef, que transmite conteúdos educacionais para diversos municípios da região e foi um dos vencedores do Desafio “Tecnologia é Ponte”, promovido pelo Changemakers da Ashoka em parceria com o Instituto Embratel Claro.

A iniciativa, que conta com o apoio da Secretaria Municipal da Educação, é desenvolvida por profissionais de Letras, Jornalismo e Pedagogia, em conjunto com as escolas da cidade e com os alunos do Ensino Fundamental I. Diversas atividades são desenvolvidas com a comunidade, como oficinas de rádio e implementação de estações nas próprias unidades de ensino. Entretanto, a principal frente de trabalho é o programa “Para Ouvir e Aprender”, com conteúdo desenvolvido pela equipe e pelos estudantes. Uma das formas de contribuição das crianças é a “Rede de Repórteres Educativos”, na qual um grupo é responsável por desenvolver uma matéria sobre um tema pré-determinado. Outro exemplo é o “Núcleo de Leitores”, em que os pequenos têm a oportunidade de ler notícias, cartas ou até mesmo apresentar uma edição. Conheça as demais atividades do projeto aqui.

Nas escolas, o programa de trinta minutos é transmitido três vezes por semana nas aulas do 1º ao 5º ano, dando a oportunidade para que os educadores discutam os temas abordados. Para complementar, é distribuído gratuitamente o Guia Pedagógico do Professor, que traz uma série de textos de diferentes gêneros, como contos, fábulas e músicas, acompanhados por sugestões de atividades para serem trabalhadas com os alunos.

Com este envolvimento, os estudantes conhecem o funcionamento de uma rádio e de algumas atividades do jornalismo, aprendem a criar conteúdos, conduzir entrevistas e escrever uma matéria. Apesar de o programa ser oficialmente voltado para escolas municipais e para crianças entre os 6 e 10 anos – em fase de alfabetização – diversos estudantes que avançaram seus estudos mantêm seu vínculo com o projeto e seguem contribuindo. Maria do Socorro, uma das criadoras, conta de cinco jovens que, já na universidade, ainda ajudam o time.

De forma geral, a educomunicadora observa que o projeto está aumentando o engajamento da comunidade em torno da escola. Os alunos que participam da rádio tornam-se cada vez mais proativos e participativos, envolvendo-se em outras iniciativas educacionais. Da mesma forma, os pais desempenham um papel mais ativo na vida escolar dos filhos, uma vez que podem acompanhar a transmissão e conhecer o que está sendo ensinado.

Agora com a vitória do Desafio “Tecnologia é Ponte”, os planos envolvem melhorar a infraestrutura da Rádio, com a aquisição de novos equipamentos, compra de aparelhos de rádio para as escolas e expansão do programa para outras cidades da região.

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