Entre os dias 17 e 19 de março, acontece a 13ª edição da FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia). A feira, que procura apresentar soluções inovadoras para problemas da nossa sociedade, trará 332 projetos desenvolvidos por estudantes dos ensinos Fundamental, Médio e Técnico de 26 estados do Brasil. Ela é promovida pela Poli por meio do Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI).
A professora do LSI e coordenadora do evento Roseli de Deus Lopes conta que, nesse ano, recebeu uma série de projetos que dialogam com questões que apareceram intensamente na mídia, como a escassez de água e de energia. Um deles, ela cita, é uma máquina de lavar capaz de filtrar a água que utiliza, tornando-a apropriada para ser reutilizada em tarefas domésticas. No entanto, ela considera interessante e positivo que muitos dos projetos também avaliam problemas mais relacionados à situação local das escolas e dos estudantes.
Os projetos expostos na feira, selecionados dentre mais de 2100 trabalhos submetidos ou indicados por feiras afiliadas, serão avaliados por especialistas e pesquisadores. Visitantes também poderão votar por meio do site da FEBRACE. Os trabalhos mais bem avaliados renderão aos seus autores troféus, medalhas, bolsas e oportunidades de estágio, totalizando aproximadamente 200 prêmios. Eles disputam, além disso, uma das nove vagas para representar o Brasil na Feira Internacional de Ciências e Engenharia da Intel (Intel ISEF), que acontecerá em maio, na cidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos.
No ano passado, foram premiados projetos como o Harpia, um sistema eletrônico de monitoramento capaz de identificar o canto de filhotes de Gavião Real e, com isso, mapear em tempo real os ninhos dessa espécie ameaçada. Outro projeto reconhecido foi um cão-guia robô que utiliza comandos de voz para guiar seu dono, elaborado por alunos de uma escola estadual do Espirito Santo.
A FEBRACE foi concebida pela professora Roseli de Deus Lopes, do LSI, com sua equipe. Professora da Poli desde 1990, ela se incomodava ao perceber que muitos dos alunos ingressavam no curso de Engenharia motivados mais pelas oportunidades de carreira que o curso oferecia do que por uma paixão por descobrir e solucionar problemas por meio de métodos científicos.
Inicialmente, ela e sua equipe realizavam oficinas e palestras em escolas, para difundir esse gosto pela ciência e buscar talentos, mas sentiam falta de uma ação de maior alcance. Essa iniciativase transformou na feira, que, segundo ela, tem também o objetivo de “induzir” outras ações pelo Brasil.
Roseli conta que o evento é apenas o momento de maior visibilidade de um trabalho que ela e sua equipe realizam continuamente. A prospecção de talentos e projetos interessantes é constante, e todos os projetos que se inscrevem recebem um retorno construtivo, mesmo aqueles que não são selecionados para o evento.
Os que recebem o convite, porém, recebem junto algumas dicas para lhes auxiliar a conseguir patrocínio, como entrar em contato com o prefeito e vereadores de sua cidade. “É importante que eles saibam não só organizar um projeto de pesquisa científica, mas também como conseguir fazer com que esse projeto se torne viável”, explica. Nessa edição, foi exigido também dos grupos selecionados que criassem um breve vídeo mostrando seu projeto, para ajudar na divulgação de sua ideia e desenvolver a capacidade de comunicação dos alunos.
A professora considera também que os projetos em si, embora sejam centrais para a feira, são apenas uma amostra do talento do professor orientador e dos alunos, que podem desenvolver muitos outros projetos como aquele. “Nessa faixa etária, o mais importante é que o jovem consiga se apropriar do processo de produção de conhecimento científico”, diz.
Ela cita também os resultados de uma pesquisa de doutorado que ela orientou, que avaliou o impacto do desenvolvimento de projetos para feiras de ciências na vida escolar dos alunos participantes, que mostrou que essa experiência ajuda a desenvolver a criatividade, a auto-estima e ajuda o estudante a ficar mais atento para questões sociais de sua comunidade. “Quando você conversa com esses alunos e vê as histórias deles, os projetos que desenvolveram, você percebe que a maioria dos nossos problemas tem solução, basta que alguém invista nesses alunos”, diz Roseli.