O Brasil registrou avanços importantes nas políticas públicas voltadas à inclusão de pessoas com deficiência na educação nas últimas décadas. Ainda assim, desigualdades persistentes impõem grandes desafios tanto para a estruturação das escolas quanto para a formação de professores especializados. Essas constatações abrem caminho para o quarto episódio de “Entre mundos”, o videocast do Instituto Claro.
Especialista em advocacy do Instituto Rodrigo Mendes e integrante da Coalizão Brasileira pela Educação Inclusiva, Karolyne Ferreira é a convidada do programa. Na entrevista, ela analisa o cenário brasileiro e os limites das políticas públicas atuais e explica a diferença entre os termos educação inclusiva e educação especial, destacando os desafios para sua efetiva implementação nas redes de ensino.
“Hoje, temos uma taxa de 20% das escolas sem nenhum item de acessibilidade: rampa, banheiro adaptado, piso tátil… Isso influencia muito na vivência do cotidiano escolar pelo estudante com deficiência”, diz Ferreira, que apresenta outros dados. “Apenas 6,4% dos professores de disciplinas têm formação continuada em educação especial e inclusive. Entre os professores do atendimento educacional especializado, pouco mais de 30% têm formação. Sem essa formação, o professor fica sem saber o que fazer, é natural. Ele fica sem estratégia, sem instrumentos.”