Conteúdos
Este plano de aula propõe um estudo aprofundado da obra “A visão das plantas”, de Djaimilia Pereira de Almeida, destacando sua relevância literária e simbólica. A narrativa acompanha os últimos dias de Celestino, ex-capitão de navio negreiro, em sua velhice solitária, assombrado por fantasmas e pelo peso de sua história violenta. Por meio da análise da autora e da obra, os alunos serão guiados a compreender os principais elementos críticos da narrativa. A proposta inclui uma atividade de fixação e a construção de um mapa mental ilustrado como material de revisão.
Objetivos
- Conhecer a biografia e a trajetória literária de Djaimilia Pereira de Almeida;
- Compreender o enredo e os temas centrais de “A visão das plantas”;
- Analisar elementos simbólicos e narrativos presentes na obra; e
- Desenvolver pensamento crítico e reflexivo sobre colonização, memória e justiça histórica.
Conteúdos/Objetos do conhecimento:
- A autora – Djaimilia Pereira de Almeida;
- A obra – “A visão das plantas”;
- Características da obra;
- Proposta de fixação;
- Mapa mental – material para consulta e revisão.
Palavras-chave:
Djaimilia Pereira de Almeida. Literatura contemporânea. Colonização. Memória.
Previsão para aplicação:
2 aulas (50 min).
1ª Etapa: A autora - Djaimilia Pereira de Almeida
Previamente à exposição dessas aulas, é essencial que os alunos façam a leitura do livro, de forma que acompanhem e compreendam as informações e análises que serão expostas por você, professor(a).
Inicie perguntando aos alunos se já conhecem a autora e/ou tiveram contato com outras obras dela. Em seguida, conte que a aula será dedicada ao estudo de uma escritora contemporânea de destaque, cuja produção literária está sendo cada vez mais valorizada e reconhecida em vestibulares e premiações internacionais.
Nesta etapa, não deixe de abordar os seguintes pontos:
- A autora nasceu em Luanda (Angola), em 1982, porém cresceu em Portugal.
- Recebeu grande reconhecimento crítico: “A visão das plantas” ficou em segundo lugar no Prêmio Oceanos (2020).
- Ocupou um cargo junto ao governo português, de 2021 a 2023, tendo sido consultora para os direitos humanos, igualdade de oportunidades e não-discriminação da casa civil do Presidente da República.
- Sua escrita tem como temáticas frequentes: memória, identidade, colonização e subjetividade, sempre com delicadeza poética e crítica histórica.
Materiais de apoio:
DJAIMILIA PEREIRA DE ALMEIDA – biografia – Vestibuler com prof. Altemir
Acesso em: 25 de agosto de 2025.
Quatro perguntas para Djaimilia Pereira de Almeida, autora de A VISÃO DAS PLANTAS – todavia
Acesso em: 25 de agosto de 2025.
Premio Vergílio Ferreira 2025 – Djaimilia Pereira de Almeida – Universidade Évora
Acesso em: 25 de agosto de 2025.
Escritores que lêem o mar: Djaimilia Pereira de Almeida – PÚBLICO
Acesso em: 25 de agosto de 2025.
Para finalizar esta etapa, construam em conjunto (pode ser a turma toda, com o seu suporte, ou os alunos divididos em grupos) uma linha do tempo com momentos importantes da biografia da autora.
2ª Etapa: A obra - “A visão das plantas”
Explique à turma que, dentre as obras de autoria de Djaimilia Pereira de Almeida, nos debruçaremos sobre aquela intitulada “A visão das plantas”, publicada em 2019.
Conte a eles que a obra narra os últimos dias de Celestino, um ex-capitão de navio negreiro que, já idoso, retorna a Portugal para viver sozinho. O protagonista é apresentado em uma casa vazia, isolado do convívio social, tendo como única ocupação o cultivo de um jardim. Esse espaço, que floresce sob seus cuidados, adquire caráter simbólico, pois revela a contradição de um homem que antes semeou a destruição e agora dedica-se a criar vida. Ao longo da narrativa, Celestino é assombrado por fantasmas de uma mulher e de uma criança que ele assassinou em sua juventude, figuras que surgem para lembrar-lhe a violência de seu passado e a impossibilidade do esquecimento.
Por conta de os seus vizinhos saberem de seu passado violento, Celestino é excluído do convívio social, sendo que o único gesto de humanidade direcionado a ele, em sua velhice, vem de Manuel, um jovem que o acompanha em pequenas experiências cotidianas, como uma festa junina ou um passeio à praia, representando a compaixão em contraste com o isolamento e a impunidade que marcaram a trajetória do protagonista. O desfecho se dá com a morte de Celestino em meio ao jardim que ele cultivava, o que confere à narrativa uma dimensão simbólica e reflexiva, ao colocar lado a lado a brutalidade de sua vida e a delicadeza das flores que o cercam em seus últimos instantes.
Os temas centrais discutidos em “A visão das plantas” envolvem a memória da colonização e da escravidão, a violência histórica e a impunidade daqueles que as perpetuaram, bem como o silêncio coletivo em torno dessas marcas do passado. A obra não busca julgar diretamente seu protagonista, até mesmo porque contrapõe os seus atos violentos ao afeto que ele demonstra por suas plantas, mas provoca o leitor a refletir sobre a responsabilidade histórica, o peso da violência não reparada e as contradições humanas entre destruição e cuidado, morte e vida, esquecimento e memória.
Acerca dos personagens da obra, temos o seguinte:
- Celestino – protagonista, ex-capitão de navio negreiro, marcado pela contradição entre, de um lado, a violência e a dureza de suas ações, e de outro a delicadeza e afeto com que cuida de suas plantas.
- Fantasma da mulher e da criança – simbolizam a memória da violência e a impossibilidade do esquecimento.
- Manuel – jovem que representa solidariedade e compaixão, contrastando com o isolamento do protagonista.
Materiais de apoio:
A VISÃO DAS PLANTAS – fuvest 2026 – áudio vídeo – Vestibuler com prof. Altemir
Acesso em: 25 de agosto de 2025.
Todavia ao vivo — Lançamento de A VISÃO DAS PLANTAS, de Djaimilia Pereira de Almeida
Acesso em: 25 de agosto de 2025.
3ª Etapa: Características da obra e o movimento literário a que pertence
Diga aos alunos que “A visão das plantas” é uma obra que combina narrativa em prosa com forte lirismo poético, revelando um estilo singular de Djaimilia Pereira de Almeida. A autora cria uma escrita marcada pela delicadeza da linguagem, pela presença de símbolos e pela constante aproximação entre literatura, filosofia e história. O narrador em terceira pessoa conduz grande parte da trama, mas em alguns momentos cede lugar ao fluxo de consciência do protagonista, o que aproxima o leitor da interioridade de Celestino e evidencia a ausência de arrependimento em sua trajetória. A linguagem é simples e precisa, com forte carga metafórica, especialmente quando as plantas e o jardim são personificados como elementos vivos, capazes de representar tanto a beleza da vida quanto a lembrança da violência.
Em termos de movimento literário, a obra insere-se na literatura contemporânea de língua portuguesa, com destaque para a vertente que revisita criticamente os legados da colonização e da escravização. Trata-se de uma produção que dialoga com a chamada literatura pós-colonial, uma vez que expõe as cicatrizes históricas do colonialismo sem recorrer a narrativas lineares ou didáticas, mas sim por meio de uma escrita literária que tensiona memória e esquecimento, silêncio e denúncia. Essa característica aproxima o romance de outras obras contemporâneas que buscam dar visibilidade às vozes apagadas pela história oficial e que problematizam os lugares de poder na sociedade.
Ao destacar essas características, mostre aos alunos que “A visão das plantas” não se limita a contar a história de um personagem individual, mas utiliza Celestino como representação simbólica de um passado coletivo, de uma estrutura de violência que atravessou gerações. A obra provoca o leitor a pensar sobre os limites da memória e da justiça, levantando reflexões que permanecem atuais em debates sobre identidade, responsabilidade histórica e desigualdade social.
Em seguida, apresente as principais características da obra e relacione-as com a literatura contemporânea/pós-colonial, não deixando de passar pelos pontos abaixo:
- Revisão crítica da história
- A literatura pós-colonial busca revisitar os processos de colonização, escravização e violência histórica, revelando perspectivas que foram silenciadas.
- Em “A visão das plantas”, esse aspecto está presente na figura de Celestino, ex-capitão de navio negreiro, cuja velhice expõe o silêncio e a impunidade que marcaram a trajetória dos colonizadores.
- Dar voz aos silenciados
- O movimento procura recuperar experiências apagadas ou ignoradas pela história oficial.
- A presença dos fantasmas da mulher e da criança assassinadas por Celestino simboliza justamente as vozes que não puderam falar em vida, mas que assombram o protagonista e o leitor como memória incontornável.
- Questionamento das identidades e dos lugares de poder
- Há uma constante problematização das relações de dominação entre colonizador e colonizado.
- O contraste entre Celestino, que vive sem remorso, e Manuel, o jovem que lhe demonstra compaixão, abre espaço para refletir sobre diferentes formas de humanidade e poder, subvertendo a lógica de superioridade do colonizador.
- Uso de símbolos e metáforas ligadas à memória e à resistência
- A escrita pós-colonial frequentemente utiliza imagens poéticas para falar da dor histórica.
- O jardim cultivado por Celestino é a metáfora central do livro: um espaço de vida e beleza criado por alguém que cultivou a morte ao longo de sua vida, refletindo a tensão entre esquecimento e lembrança.
- Hibridismo estético
- A literatura contemporânea pós-colonial mistura gêneros, estilos e vozes narrativas, criando novas formas de contar histórias.
- Na obra, a prosa narrativa é entremeada por trechos líricos e fluxos de consciência, o que amplia a experiência do leitor e reforça o caráter poético da escrita de Djaimilia.
- Universalização a partir do local
- Partindo de episódios específicos do passado colonial português, as obras dialogam com temas universais, como memória, culpa, justiça e humanidade.
- Embora ambientada na vida de um personagem em Portugal, a história de Celestino leva a reflexões que ultrapassam fronteiras, colocando em discussão questões éticas presentes em todo o mundo.
4ª Etapa: Proposta de fixação
Proponha aos alunos que escrevam uma breve carta, assumindo a perspectiva de uma planta do jardim de Celestino.
Ao final, cada aluno deve escrever um parágrafo explicando a intenção de sua escrita.
Produto final: as cartas podem ser expostas em um mural da sala ou compartilhadas em roda de leitura.
5ª Etapa: Mapa mental
Utilizando todos os conteúdos tratados acerca da obra “A visão das plantas”, de Djaimilia Pereira de Almeida, proponha aos alunos que construam, individualmente, um mapa mental, que servirá como material de consulta e revisão.
Segue abaixo um exemplo de mapa mental, construído com base neste plano de aula:
Bom trabalho!
Plano de aula elaborado pela Professora Daniela Leite Nunes.
Coordenação Pedagógica: Prof.ª Dr.ª Aline Bitencourt Monge.
Crédito da imagem: arquivo