Conteúdos

A proposta convida as crianças a conhecer e experimentar a brincadeira Tum Tum, popular no Togo, país localizado na África Ocidental. A partir da escuta dos sons do corpo e do tambor, as crianças conhecerão a brincadeira, localizarão o país de referência no mapa e participarão de uma experiência que envolve atenção, percepção sonora, interação e movimento. Ao longo da proposta, também serão convidadas a refletir sobre como as brincadeiras fazem parte das culturas e podem ser conhecidas e recriadas em diferentes lugares.

Objetivos

  • Explorar diferentes possibilidades de escuta e percepção dos sons presentes no ambiente e no próprio corpo;
  • Participar de brincadeiras de diferentes culturas, demonstrando interesse e respeito por modos diversos de brincar;
  • Desenvolver a atenção e a percepção espacial ao identificar a origem de um som durante a brincadeira;
  • Interagir com outras crianças, respeitando combinados e diferentes papéis durante a brincadeira; e
  • Experimentar e criar novas possibilidades para uma brincadeira conhecida.

Campos de experiência:

  • Corpo, gestos e movimentos; e
  • O eu, o outro e o nós.

Palavras-chave:

Educação étnico-racial. Brincadeira. Cultura. Togo. África. Escuta. Sons. Diversidade cultural.

Tempo sugerido:

De 20 a 40 minutos por etapa.

Proposta de trabalho:

As brincadeiras constituem formas de expressão, interação e transmissão de conhecimentos presentes em diferentes culturas. Conhecer brincadeiras de outros lugares pode ampliar o repertório das crianças e favorecer o contato respeitoso com diferentes modos de viver e brincar. A proposta apresenta a brincadeira Tum Tum, popular no Togo, como ponto de partida para uma experiência de escuta, movimento e interação. Ao conhecer a brincadeira e a sua referência cultural, as crianças poderão perceber que existem diferentes maneiras de brincar e que essas práticas podem circular, ser compartilhadas e ganhar novas formas em outros contextos.

1ª Etapa: Escutando as batidas

Em uma roda de conversa, o professor convidará as crianças a perceber os sons produzidos pelo próprio corpo. Pergunte quais sons conseguem ouvir quando permanecem em silêncio e proponha que coloquem a mão sobre o peito para tentar perceber as batidas do coração.

Depois, pergunte: “Esse som lembra o som de algum instrumento que vocês conhecem?”. Apresente um tambor ou atabaque e produza algumas batidas, convidando as crianças a escutar e comparar os sons.

Converse sobre as diferentes maneiras de produzir sons com um tambor e permita que as crianças experimentem algumas batidas, percebendo ritmos e intensidades diferentes.

2ª Etapa: Conhecendo o Tum Tum

Retome a experiência com o tambor e apresente a brincadeira Tum Tum, popular no Togo, país da África Ocidental.

Mostre o Togo em um mapa e explique que a turma conhecerá uma brincadeira praticada naquele lugar. Evite apresentar o país como representação de todo o continente africano, destacando que a África é formada por muitos países, com diferentes povos e culturas.

Explique como a brincadeira acontece: uma criança fica com os olhos vendados e outra produz o som do tambor em intervalos regulares. A criança vendada deverá caminhar em direção ao local de onde percebe que o som está vindo. Ao encontrar quem está tocando, as crianças podem trocar de papéis.

Antes da brincadeira, estabeleça combinados, para garantir a segurança de todos, especialmente em relação ao deslocamento da criança vendada.

3ª Etapa: Brincando de Tum Tum

Escolha um espaço amplo, tranquilo e que permita que o som do tambor seja percebido com clareza. Organize as crianças de modo que tenham espaço suficiente para se movimentar com segurança.

Retome as regras e os combinados e iniciem a brincadeira. As crianças deverão se revezar nos diferentes papéis, experimentando tanto produzir o som quanto escutá-lo e tentar identificar sua origem.

Durante a experiência, o professor pode fazer intervenções como: “De onde você acha que está vindo o som?”, “O som parece estar mais perto ou mais longe?”, “O que você fez para tentar descobrir onde estava o tambor?”.

Permita que a brincadeira aconteça por várias rodadas, respeitando o tempo e o interesse do grupo.

4ª Etapa: Descobrindo novos sons

Retome com as crianças a experiência de brincar de Tum Tum e pergunte quais características do som do tambor ajudaram a localizar quem estava tocando. Em seguida, apresente outros objetos e instrumentos que possam produzir sons, como chocalhos, sementes dentro de recipientes, latas, pedaços de madeira, sinos ou palmas.

Convide as crianças a experimentar esses sons e perceber suas diferenças: alguns podem ser mais fortes ou mais suaves, contínuos ou marcados, próximos ou distantes. Pergunte: “Será que conseguiríamos encontrar alguém apenas ouvindo esse som?”, “Qual desses sons seria mais fácil de localizar?”, “Qual deles parece com o som do tambor?”.

Depois, proponha pequenas experiências de escuta. Uma criança produz um dos sons enquanto as demais permanecem de olhos fechados e tentam identificar de onde ele vem. Varie os objetos e as posições no espaço, permitindo que as crianças percebam como diferentes sons podem orientar seus movimentos.

Ao final, reúna o grupo e converse sobre as características dos sons que experimentaram. Retome quais foram mais fáceis ou mais difíceis de localizar e quais despertaram maior interesse. Explique que, na próxima etapa, o grupo poderá usar essas descobertas para criar uma nova forma de brincar.

5ª Etapa: Criando uma nova brincadeira

Retome com as crianças as experiências realizadas nas etapas anteriores e convide-as a pensar em como poderiam transformar a brincadeira Tum Tum. Mostre novamente os objetos e instrumentos experimentados e proponha que o grupo escolha quais sons farão parte da nova brincadeira e como ela será realizada.

Com a participação das crianças, construam alguns combinados, como: quem produzirá os sons, quem deverá localizá-los, onde os participantes ficarão e como acontecerá a troca de papéis. O grupo também poderá decidir se utilizará um ou mais instrumentos, se as crianças deverão localizar um ou mais sons ao mesmo tempo, se os sons serão produzidos em sequência ou alternados e se haverá momentos de silêncio durante a brincadeira.

Depois, experimentem a proposta criada pelo grupo. Durante as rodadas, o professor poderá interromper a brincadeira para perguntar: “Essa regra está funcionando?”, “O que podemos mudar?”, “Ficou fácil ou difícil localizar o som?”, “Queremos manter essa forma de brincar ou experimentar outra?”.

Permita que as crianças façam ajustes e testem novamente suas ideias, reconhecendo que uma brincadeira pode ser modificada e ganhar novas formas quando é compartilhada e recriada pelo grupo.

Ao final, reúna as crianças para conversar sobre a experiência e retomem o percurso realizado: elas conheceram uma brincadeira popular no Togo, experimentaram diferentes formas de escutar e localizar sons e, a partir dessa experiência, criaram coletivamente uma nova maneira de brincar. Converse sobre como as brincadeiras fazem parte das culturas, podem ser compartilhadas entre diferentes lugares e também podem ser recriadas em novos contextos.

Materiais Relacionados

  • BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2018.
  • INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Brincadeiras e jogos africanos. IBGE Educa.
  • GUARULHOS (SP). Secretaria Municipal de Educação. Educador – Estágios I e II: Saberes na Rede – Aprendendo com o Tempo. Material pedagógico. A atividade apresenta a brincadeira Tum Tum, popular no Togo, e descreve sua dinâmica.
  • CUNHA, Débora Alfaia da. Brincadeiras africanas para a Educação Cultural. Material utilizado como referência para as atividades de brincadeiras africanas indicadas pelo IBGE.

Plano de aula elaborado pela Professora Karina Spalla da Silva Chagas.

Revisão textual: Professora Daniela Leite Nunes.

Coordenação Pedagógica Prof.ª Dr.ª Aline Monge.

Crédito da imagem: Frazao Studio Latino – Getty Images

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