A quantidade de alunos com deficiência tem aumentado consideravelmente nas escolas. Dados do Censo Escolar da Educação Básica registram aumento consecutivo no número de matrículas nos últimos quatro anos. Em 2016, as escolas brasileiras tinham 751 mil alunos com algum tipo de deficiência. Em 2017, esse número subiu para 825 mil.

Diante do aumento da demanda, os desafios se multiplicam. E o primeiro deles é como recepcionar e acolher esses alunos. Faz sentido, por exemplo, fazer sondagens prévias, no momento da matrícula, para já providenciar adequações no espaço, requerer materiais especiais e preparar a equipe docente?

Para a coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferença da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Maria Teresa Mantoan, a resposta é não. Segundo ela, qualquer tipo de indagação prévia, ainda que bem intencionada, pode resultar em situações discriminatórias. “Qualquer ação que venha a centrar a questão da matrícula na deficiência deve ser evitada”, afirma. Outra questão é que esse tipo de abordagem tende a focar na deficiência, quando a prioridade deve ser o indivíduo. “Tudo que a gente for pensar de antemão a respeito dos seres humanos tem a ver com o enquadramento dele em um modelo, em uma identidade. É exatamente isso que a inclusão não quer que aconteça”, completa.

Na entrevista, a pesquisadora orienta sobre como planejar o acolhimento, analisa a legislação dedicada ao tema e fala sobre a função dos professores de atendimento educacional especializado (AEE), entre outros aspectos importantes no trabalho com alunos com deficiência.

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