Um estudante chinês poderá tirar dúvidas com um estudante jamaicano. Um sul-africano debaterá um texto com um australiano, um guianês e um iraniano. Tudo isso sem sair de sua própria casa ou de onde quer que tenham acesso a um computador com internet, por meio da qual farão parte de um grupo de vinte alunos, que, com outros grupos, formarão a University of the People (UoPeople e, em português, Universidade do Povo), fundada recentemente com apoio da ONU pelo empresário israelense Shai Reshef.

Para ele, “com uma universidade online, todo mundo, em qualquer lugar do mundo pode estudar” e é justamente essa possibilidade de colocar em contato pessoas das mais diferentes regiões, o elemento mais importante da UoPeople. “Queremos abrir as mentes das pessoas e torná-las mais próximas, fazê-las perceber as especificidades dos outros e, ao mesmo tempo, o quão parecidos eles são e o quão pequeno o mundo é”, afirma.

Alem de ser uma universidade global online, a UoPeople aposta em uma metodologia de aprendizagem que mistura autodidatismo, trabalho colaborativo e o método de aprender ensinando. Esta metodologia é chamada, pelo fundador da UoPeople, de “peer-to-peer methodology”, e foi inspirada em sites como o Cramster.com, em que estudantes se juntam para tirar dúvidas e ajudar uns aos outros com as tarefas escolares.

É dessa maneira que a UoPeople, anunciada em maio, funcionará a partir do segundo semestre deste ano. A cada semana, os alunos se encontrarão em uma sala de aula virtual em que terão acesso a um material, que devem ler, estudar e debater. Haverá, ainda exercícios e um quiz  para confirmar se entenderam o conteúdo. Se tiverem dúvidas, poderão se encontrar em um fórum com todos os alunos que façam o mesmo curso e com professores voluntários para esclarecimentos e discussões.

Shai Reshef  não informa o número exato de voluntários que participam da universidade, mas afirma que há “centenas de professores do mundo inteiro que se ofereceram para ajudar os alunos”. Esses voluntários são necessários, inicialmente para escrever os cursos, complementando o material gratuito disponibilizado por outras instituições, como o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), na internet. Depois, confirmada sua seriedade dos voluntários, eles precisarão se comprometer com a universidade para entrar nas classes. Shai Reshef conta que para se candidatar a professor voluntário é necessário ter pelo menos mestrado, porém as pessoas oferecem todo tipo de ajuda como softwares, marketing social, apoio e até coisas como a criação de uma página no Facebook.

Embora não conheça nenhuma universidade que use a mesma metodologia, Shai Reshef espera que a inciativa da UoPeople inspire outras instituições. Por causa dela, a UoPeople não cobra mensalidade, uma característica essencial, já que, segundo Shai Reshef, a universidade busca atingir estudantes de países mais pobres. “Nossa universidade é basicamente uma universidade para estudantes de terceiro mundo. Procuramos estudantes qualificados para entrar em uma universidade, mas que não têm condições de pagar ou que vivem em um lugar sem universidades o suficiente, ou com outros motivos pessoais que os impedem de estudar em uma universidade tradicional”.

Carreiras universais

O fundador explica que os cursos escolhidos para serem oferecidos pela universidade foram Administração de Empresas e Ciência da Computação e conta por quê: “Ambas as carreiras empregam bastante no mundo inteiro. Alem disso, são carreiras ensinadas de maneira similar em qualquer país do mundo, e temos que ter certeza de que nossos alunos podem estudar o mesmo programa, independentemente de seu país de origem.”

Todavia, para estudar na UoPeople é necessário preencher alguns requisitos capazes de entravar o acesso de alunos do terceiro mundo, como o domínio de inglês e a possibilidade de usar um computador com internet. Além disso, embora nesse início os cursos sejam totalmente gratuitos, dentro de um prazo ainda não determinado por Shai Reshef, haverá taxas de inscrição que variarão de 15 a 50 dólares e taxas de exames, que variarão de 10 a 100 dólares. Como  nos Estados Unidos é obrigatória a realização de 40 exames durante o curso, ele custará aos alunos de 400 a 4000 dólares ao ano, de acordo com seu país –  quem pertence aos países mais pobres pagará menos, que pertence aos mais ricos, mais.

De acordo com Shai Reshef, as taxas são necessárias para a manutenção e o funcionamento da universidade, que somente poderá se auto sustentar quando tiver 15.000 estudantes. Nesse início, a UoPeople atenderá 300 estudantes e se manterá com 1 milhão de dólares doados pelo próprio fundador. Deverá também levantar outros 5 milhões de dólares que permitirão aumentar o número de cursos e alunos. Depois que começar a funcionar, a universidade precisará, ainda, buscar o credenciamento, que permitirá que conceda diplomas a seus alunos. As Inscrições para o primeiro semestre na University of the People vão ate o dia 30 de junho de 2009 e podem ser feitas no próprio site da instituição: www.uopeople.org.

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