“Você já reparou que todo o conhecimento da humanidade está em um celular? Todos os quadros, livros, teorias e afins. Tudo o que foi produzido pelo homem pode ser facilmente acessado. Se antes a escola estava apoiada no esforço da busca pela informação, essa busca não existe mais”, enfatizou o filósofo e historiador  Leandro Karnal em palestra no Congresso Nacional de Educadores Pearson, ocorrido em São Paulo, no dia 16 de setembro de 2017.

“O conteúdo está disponível. O desafio, hoje, é ensinar o aluno é filtrar essa informação e a pensar criticamente”, apontou. Segundo o professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) – que lecionou durante anos no ensino médio da rede particular de São Paulo – um professor que solicita aos alunos um trabalho, por exemplo, sobre feudalismo, está “pedindo um control C e control V” ou que o aluno “aposte na sua memória auxiliar: a famosa cola”. Um dos problemas atuais da escola, ainda segundo Karnal,  é dificuldade em ressignificar a importância da memória em sala de aula. “Pela primeira vez na História não sabemos como ensinar a geração seguinte”, pontuou Karnal, utilizando frase do historiador israelense e autor do livro bestseller Sapiens, Yuval Harari. 
 
“É diferente se esse professor convida os alunos a visitarem um agronegócio e um assentamento do Movimento Sem Terra (MST) para, na sequência, solicitar que eles comparem esses modelos com um feudo. Um novo pensamento se constrói”, explica. Karnal também criticou as escolas que proíbem os alunos a usarem o celular na aula ou nas avaliações. “Esse aluno usa o celular e acessa esse conhecimento para tudo, apenas não na escola. Assim, cria-se um ambiente artificial na sala de aula, descolado da realidade e da vida”, decreta. Assim, conclui, proibir acesso aos conteúdos via celular distancia escola dos alunos.
 
“Não mudar é fatal”
Mas seria a tecnologia a salvação para a aprendizagem? Para Leandro Karnal, a resposta é negativa. “Durante o nazismo, todas as escolas alemãs tinham projetores. Funcionavam como cinemas particulares, mas transmitiam conteúdos racistas. Com isso, temos a lição: podemos dar uma aula fascista usando tabletes, e uma aula libertadora apenas com giz e embaixo de uma árvore. A revolução está na forma, não nos instrumentos”, concluiu. 
 
De acordo com o historiador, “para o professor, não mudar é fatal”. “Nós, professores, não fomos preparados para essa realidade. Eu usei mimeógrafo e retroprojetor nas minhas aulas. O mundo que me formou e onde eu comecei a lecionar não existe mais”, refletiu.  “Temos uma juventude que tem dificuldade em manter a atenção, porque foi forjada a se atentar por poucos segundo, em conteúdo em vídeo. Então, nos momentos em que o professor consegue a atenção do seu aluno, ele deve ‘seduzi-lo’ e ajudá-lo a adentrar nesse mundo de conhecimento”, completou. 
 
Por fim, Karnal acredita que o processo educacional e o professor continuarão sendo necessários. “Hoje temos todos os procedimentos cirúrgicos, bulas de remédio, sintomas de doenças no Youtube. Ainda assim, precisamos de dez anos para formar um médico. O aluno precisa entender que apenas acessar o conteúdo não faz dele uma pessoa melhor”, defendeu.  
 
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