O Instituto Claro conheceu, neste primeiro ano de atuação, um grande número de ideias e projetos que merecem ter apoio e orientação para se converterem em benefícios para sociedade. Partindo desse ponto, a entidade irá tornar o empreendedorismo um tema transversal em todos os seus projetos. Leia abaixo entrevista em que a vice-presidente Carime Kanbour faz um balanço desse primeiro ano de trabalho do Instituto Claro, completado no dia 30 de março.

 

Maíra Soares

Para Carime Kanbour, a vocação do Instituto é incentivar o protagonismo das pessoas em suas áreas de atuação com o uso das novas tecnologias

Que balanço é possível fazer do trabalho do Instituto Claro neste primeiro ano de atuação?
O trabalho do Instituto, neste primeiro ano, ajudou a criar e ampliar espaços de debate sobre as relações entre as novas tecnologias e as novas formas de aprender, gerar conhecimento e inovação. Internamente, o desafio principal foi se aprofundar na causa e descobrir os melhores caminhos de atuação. Desde o primeiro momento, pensamos em aprender fazendo, e isso foi muito positivo porque permitiu que a gente se aproximasse das pessoas relacionadas à nossa causa e tivesse a chance de ‘fazer junto’ com quem já estava mergulhado nesse universo. Externamente, nosso trabalho resultou em parcerias com outras instituições e oportunidades de apoio a projetos que se alinham ao Instituto, a exemplo dos contemplados pelo Prêmio Instituto Claro – Novas Formas de Aprender. A partir de agora, vamos priorizar a tangibilização dessa causa.

Que projetos se destacaram nesse período? 

O Prêmio Instituto Claro teve um resultado muito positivo e se mostrou bastante inovador. Foi um projeto pensado dentro da causa, porém amplo o suficiente não só para valorizar as iniciativas educacionais relacionadas ao tema, mas qualquer ideia inovadora que tivesse como premissa o uso das novas tecnologias na educação. O resultado é que obtivemos um alto número de inscrições de todos os estados e tivemos como finalistas projetos das várias regiões do país. O sucesso do prêmio também serviu para percebermos o quanto os educadores brasileiros estão se mobilizando por uma educação diferenciada, menos vertical e mais baseada nos conhecimentos que os alunos já trazem de suas vivências em casa, na web, no convívio social. Outra iniciativa que cresceu e se tornou muito mais completa foi o festival Claro Curtas. Em 2009, conseguimos reforçar o aspecto de capacitação comportado pelo projeto. Havia essa oportunidade no Festival e era uma ampliação totalmente alinhada às premissas do Instituto. Com o objetivo de ajudar os participantes a aprimorar a produção dos seus vídeos, foram criados novos canais de aprendizado, compostos por um Miniguia e vídeos educativos. Mais de 5.000 pessoas se cadastraram no site do Claro Curtas e mais de 1.900 vídeos foram inscritos na disputa sobre o tema “Ser Digital”. Os cadastros vieram de mais de 220 municípios envolvendo quase todos os estados brasileiros. Além disso, mais de 600 pessoas participaram, até o mês de março, das oficinas realizadas na Bahia, no Pará, em Minas Gerais e no Amazonas. Graças a uma parceria com o Ministério da Cultura, mais de 10 mil cópias do miniguia foram distribuídas em cerca de 400 pontos de cultura em todo o país. Tudo isso fez com que o projeto ficasse mais completo e tivesse um alcance muito maior. Já foram divulgados os 100 semifinalistas e, até meados de abril, serão divulgados os finalistas.


A aprendizagem enriquecida com o uso das novas tecnologias é cada vez mais uma causa de toda a sociedade. Que demandas surgem para o Instituto a partir desse interesse crescente?

A própria experiência que acumulamos com o Claro Curtas e o Prêmio Instituto Claro nos mostrou que as pessoas estão conseguindo inovar nas suas áreas de atuação por meio do uso de novas tecnologias. Vimos isso na educação e na produção audiovisual, mas é algo que acontece em todas as áreas. Cada vez mais as pessoas estão criando soluções que são úteis para muita gente, soluções que precisam ser mostradas, incentivadas, reconhecidas. Por isso, o apoio ao empreendedorismo é algo que percebemos como primordial e que estamos incorporando, transversalmente, em todos os nossos projetos. Nosso intuito é criar caminhos para que as pessoas transformem suas ideias e conhecimentos em projetos inovadores.

De que forma a atuação do Instituto Claro se relaciona com os contextos de desenvolvimento econômico e social do país?

Nossa vocação é desenvolver meios para que as pessoas sejam protagonistas em suas áreas de atuação por meio do uso das novas tecnologias. Esse caminho possui um enorme potencial de transformação social e mudança da realidade. Nosso trabalho é ajudar para que as pessoas usem essa tecnologia a seu favor, desenvolvendo, trabalhando, criando. Existe um trabalho fundamental a ser feito, que é o de ajudá-las a fazer com que suas iniciativas tragam resultados práticos. Exemplos dessa criatividade não faltam. Uma pesquisa de 2002 do Sebrae mostra que um em cada cinco paulistas com 18 anos ou mais possui um negócio próprio ou pretende criar iniciar um nos próximos meses. O Sebrae também possui dados sobre o quanto as micro e pequenas empresas (MPEs) brasileiras possuem de inovação. Em pesquisa realizada em 2008, a entidade descobriu que 43% das MPEs brasileiras são inovadoras; 4% podem ser consideradas ainda “muito inovadoras” e 53% são classificadas como não inovadoras. Um bom exemplo de como as novas tecnologias se tornam estopins para novos negócios é a loja online de aplicativos para iPhone. Tendo chegado a 3 bilhões de downloads no final de 2009, a loja tem como uma de suas características vender aplicativos produzidos pelos usuários cadastrados no iPhone Developer Program. O mesmo fenômeno acontece em redes sociais, como o Facebook, onde páginas e jogos são criados por usuários e conquistam milhares e até milhões de acessos, gerando novos negócios. Esse potencial empreendedor não nasceu com as tecnologias, mas ganhou um espaço de expressão sem precedentes. Queremos ajudar as pessoas a ocupar de maneira ainda mais competente esses espaços com suas ideias inovadoras, gerando benefícios para toda a sociedade.

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