As novas possibilidades de ensino/aprendizagem por meio de dispositivos móveis foi um dos assuntos abordados na Interdidática, a maior feira de tecnologia educacional do Brasil, que aconteceu entre os dias 10 e 12 de maio em São Paulo. O assunto esteve presente tanto nos fóruns como nos estandes de alguns expositores.

Mas, apesar de ser crescente o interesse pela dupla mobilidade e educação, as iniciativas ainda se mostram tímidas. E uma das razões pode estar relacionada a pouca familiaridade de muitos educadores com os dispositivos móveis. Um dos palestrantes do fórum, Érico Almeida, especializado em TI pela Fasp (Faculdades Associadas de São Paulo), por exemplo, falou sobre mobilidade e redes sociais nos processos de aprendizagem, mostrando que os professores ainda precisam se apropriar dessas ferramentas para poder levá-las com propriedade para a sala de aula. O desafio que se impõe ao educador é descobrir como se comunicar com o aluno – este, sim, conectado e móvel – de forma digital e tecnológica.

Os números revelam que essa proximidade se torna cada vez mais inevitável: Almeida citou pesquisas que apontam um crescimento de quase 300% no uso de tablets no mundo até 2014 e uma expectativa de que o acesso à web por meio de dispositivos móveis supere o acesso via computador até 2013. “Esse será o instrumento preferencial de interface do indivíduo com os sistemas integrados de educação, informação e controle”, pontua. Nesse sentido, as escolas precisam integrar conteúdos e experiências online e offline, além de oferecerem informações personalizadas e sob demanda.

Para o professor Roberto Carneiro, da Universidade Católica de Portugal, o principal vilão da mudança é a mentalidade do “sempre fizemos assim”. As novas tecnologias digitais, ao serem aplicadas à educação, diz, devem gerar ambientes colaborativos e de diálogo.

Futuro das escolas está na dúvida

Divulgação

Blikstein falou no primeiro dia do evento sobre o futuro das escolas

Outra comunicação do evento foi realizada pelo professor Paulo Blikstein, da Universidade de Stanford, que abordou o futuro das escolas a partir das novas tecnologias. Para o pesquisador, as habilidades que importam para a sociedade mudam constantemente, e a escola nem sempre acompanha essas mudanças rapidamente. Por esse motivo, continuamos a ter uma escola nos modelos industriais, formando jovens para um mundo que não opera mais daquela maneira.

O professor disse ainda que os problemas que se colocam para a sociedade atual são complexos, e não complicados, como eram na era industrial. “Hoje lidamos com o mercado financeiro, com sistemas eleitorais, com a ameaça do aquecimento global, e todas essas situações não possuem equações e variáveis que as resolvem, somente modelos e hipóteses. É preciso pensar uma aprendizagem pela dúvida e pela incerteza.”

A liberdade para inventar, segundo Blikstein, é a mais complexa operação cognitiva que o homem realiza. No entanto, ela é negada às crianças por mais de 15 anos. Em sua opinião, a escola deveria ser o lugar onde o erro é reconhecido. “As escolas punem o aluno que erra ao definir somente um padrão do que é certo. Ora, quem se aventura, erra mais; e se punirmos o erro, o aluno deixa de se aventurar.”

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