O modelo de educação em tempo integral estará presente em 181 escolas do estado de São Paulo em 2014. O número cresceu 2,6 vezes em relação ao ano passado, quando eram ofertadas aulas em dois turnos, das 7h às 16h, em 69 unidades educacionais. Apesar do acréscimo, não chega a representar 4% do total – cinco mil – das escolas estaduais paulistas.

O estudante Lucas da Silva Rosa passou de um modelo regular para o de tempo integral em 2012, quando entrou na Alexandre von Humboldt. “Só é bem cansativo, mas eu gosto sim. A primeira diferença é que temos lição, matérias diferentes, é mais puxada. Não tenho aula vaga, o professor não deixa sem fazer nada, e estudo muito junto com os colegas”, relatou o aluno do terceiro ano do ensino médio.
 
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Na Alexandre von Humboldt, localizada no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo, acontecem às quartas-feiras pela manhã os clubes — formações de grupos dos três anos do ensino médio em torno de uma temática comum para o estudo. A escola têm 405 estudantes no total.
 
Além das disciplinas obrigatórias, os alunos contam com outras eletivas; orientação de estudos; cursinho pré-vestibular aos sábados; e trabalham com o chamado "projeto de vida de cada aluno", quando traçam no segundo ano do ensino médio as premissas de um sonho que desejam buscar.
 
Para a diretora da escola, Maria de Fátima Braz Rizzo, com o modelo de tempo integral, busca-se o jovem solidário, competente e autônomo. “Tudo é focado para o protagonismo. E percebemos essa mudança. O amadurecimento, a responsabilidade, o compromisso social que surge neles. A formação deles é muito importante quando atrelada aos seus sonhos”, explicou.
 
Presidente do Clube da Ecologia, Yohanna Augusta Bezerra, do segundo ano, diz que quer ser engenheira ambiental. “No primeiro semestre, estudamos energia do sol e eólica. Agora, estamos refazendo os canteiros da escola. No começo, tivemos que recolher dinheiro para comprar terra, mas a diretora está ajudando com os equipamentos de jardinagem”, disse ela, que tem 27 alunos no seu clube.
 
Clube da Ecologia cuidou do jardim da escola no segundo semestre de 2013
 
Com 36 membros, um dos maiores clubes é o Núcleo Assistencial da Brasilândia, que arrecada produtos de limpeza e brinquedos para ajudar crianças com paralisia cerebral. “É um pouco complicado coordenar. Quando você envolve adolescente, falta responsabilidade, mas conversamos e entramos em acordo”, relatou a presidente Isabella Almeida, também do segundo ano.
 
A escola conta com outros clubes como do Cartoon, dos Diferentes e Discriminados — que trata do preconceito contra répteis e aracnídeos — e do Rádio, que passou a cuidar da programação radiofônica da escola e fazer coberturas de eventos do local.
 
Clube do cartoon é uma das temáticas diferentes de estudo da Alexandre von Humboldt
 
Comunidade
No Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), o resultado da Alexandre von Humboldt passou de um índice de 1,7, em 2011, para 3,41 em 2012, ano em que foi implantado o novo modelo.
 
Apesar disso, a diretora disse ainda ter desafios. “O maior é fazer o aluno se perceber como protagonista. Ele chega aqui e já traz interiorizado aquele modelo de escola regular e aqui é diferente.”
 
Também, a relação com a comunidade é feita mais com os pais por meio de um conselho participativo, não tanto com outros atores sociais do entorno do bairro. Antes da implantação do modelo de tempo integral, a tendência da escola era ser fechada, por estar localizada em uma área isolada de bairros residenciais.
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