O doutorando em educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Maurício de Sousa, analisou 30 editoriais dos jornais Folha de S. Paulo e do Estado de S. Paulo sobre o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e gestão escolar. Os textos foram publicados entre 2007 e 2016 e apresentam a escola pública brasileira como de baixa qualidade, em virtude, principalmente, dos baixos resultados obtidos nas avaliações externas de larga escala. O resultado da pesquisa foi publicado no artigo “Gerencialismo e perfomatividade: o único caminho para a escola pública de qualidade?” , que está disponível online gratuitamente.
“Esta falta de qualidade da escola pública é fruto, de acordo com os editorias, da má-gestão deste serviço, do descompromisso dos professores e uma incapacidade deste profissionais de prepararem os estudantes para as avaliações externas, ou seja, focar a formação dos estudantes apenas nas disciplinas de língua portuguesa e matemática”, destaca Sousa.
Para o especialista, informações importantes para entender o contexto da qualidade da educação no Brasil ficaram de fora. Como, por exemplo, esclarecer que o custo-aluno e o salário do professor ainda são baixos, e que muitas escolas públicas não possuem infra-estrutura adequada. “Segundo os editoriais, não existe falta de dinheiro na educação brasileira, mas sim má gerência”, esclarece. “Além disso, temos que pensar que projeto de educação queremos para o país: aquela que se preocupa apenas com cidadãos consumidores e competitivos, ou com uma formação integral que ajude o estudante a compreender os problemas nacionais e lutar por uma sociedade justa?”, questiona.
Solução na iniciativa privada
A pesquisa de Sousa identificou nos jornais um discurso de que toda a escola pública é ruim e que a solução para a melhora na sua qualidade é adotar medidas oriundas na iniciativa privada. “Para isto defendem processos competitivos entre as escolas, a responsabilização de professores e gestores pelo baixo desempenho dos estudantes e a bonificação dos profissionais que atingiram as metas estipuladas externamente a escola, ou seja, através das avaliações externas “, ressalta.
“Com isso, negam-se outro fatores extraescolares, principalmente as desigualdades sociais, que afetam diretamente a educação; reduzem a educação ao ensino prescritivo da língua portuguesa e matemática e, o mais grave, contrariam a Constituição Federal a LDB que estabelecem que a educação é compromisso do Estado”, finaliza.