Conteúdos
- Faixa etária: crianças pequenas – 4 a 6 anos – Pré-escola
Este plano convida as crianças a investigar a origem de alimentos presentes em seu cotidiano. A partir de perguntas e hipóteses, a turma acompanhará a germinação de sementes, explorará uma transformação simples de um alimento e buscará pistas sobre o caminho da produção até a mesa. Desenhos, marcas, contagens e falas registradas pelas próprias crianças comporão um painel coletivo de descobertas. A proposta valoriza a curiosidade, a comparação entre observações e a possibilidade de rever ideias ao longo da investigação.
Objetivos
- formular perguntas e hipóteses sobre a origem e as transformações dos alimentos;
- observar mudanças, comparar condições e acompanhar acontecimentos ao longo dos dias;
- participar de experimentos simples e de decisões sobre como investigar;
- registrar observações por meio de desenhos, marcas, números e escrita espontânea;
- comunicar descobertas, escutar os colegas e confrontar ideias com o que foi observado; e
- reconhecer pessoas e processos envolvidos no percurso da comida até a mesa.
Campos de experiência:
- Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações.
- Escuta, fala, pensamento e imaginação.
Palavras-chave:
Educação Infantil. Alimentação. Origem. Investigação. Transformações. Registros.
Tempo sugerido:
De 5 a 6 encontros de 30 a 40 minutos, ao longo de duas ou três semanas, com observações breves das sementes entre os encontros.
1ª Etapa: O que sabemos e o que queremos descobrir?
Organize uma roda com dois ou três alimentos conhecidos pela turma, como feijão, banana e tomate, além de uma embalagem limpa de farinha de milho. Convide as crianças a observar, tocar e comparar os materiais. Use pequenas porções e considere as restrições alimentares e os cuidados de higiene da turma.
Pergunte:
- De onde vocês acham que esses alimentos vêm?
- Antes de chegar à feira ou ao mercado, onde eles estavam?
- O que será que acontece com um grão de feijão quando recebe água?
Acolha as hipóteses sem apresentar todas as respostas. Convide cada criança a desenhar uma ideia ou ditar uma frase para acompanhar seu desenho. Reúna os registros em um painel com o título “O que pensamos no começo”. Escolha com o grupo perguntas que possam ser investigadas por observação, experimentação ou conversa com alguém que conheça o assunto.
2ª Etapa: Como podemos descobrir se o feijão brota?
Proponha uma comparação: “Será que a água faz diferença para o feijão começar a brotar?”. Separe dois recipientes transparentes iguais, papel-toalha e seis grãos de feijão cru do mesmo pacote. As crianças poderão contar e distribuir três grãos em cada recipiente. Em um deles, o papel ficará umedecido, sem encharcar, e, no outro, permanecerá seco.
Combine que os recipientes ficarão lado a lado, com a mesma luminosidade e temperatura. Pergunte: “O que vamos mudar? O que precisa ficar parecido?”. Ajude as crianças a criar símbolos para identificar o recipiente com água e o sem água. Cada uma poderá desenhar sua previsão antes de observar os resultados.
Mantenha os grãos visíveis e combine como conservar apenas o primeiro papel úmido. Os materiais não serão consumidos. Se aparecer mofo, o adulto deverá descartá-los e propor reiniciar a observação.
3ª Etapa: O que mudou de um dia para o outro?
Reserve alguns minutos da rotina para observar os recipientes durante cerca de uma semana, prolongando o acompanhamento quando necessário. Ofereça lupas, folhas e lápis. Em duplas ou pequenos grupos, as crianças poderão desenhar o que veem, marcar a passagem dos dias e contar quantos grãos apresentam mudanças em cada recipiente.
Pergunte:
- O que apareceu que não estava aqui antes?
- Todos os grãos mudaram ao mesmo tempo?
- O que aconteceu no recipiente que ficou seco?
- O que nossos registros ajudam a perceber?
Construa com as crianças um diário coletivo, preservando desenhos, números e escritas espontâneas. Escreva a data quando necessário e registre legendas ditadas por elas. Não ofereça um desenho pronto da planta para completar: o registro deverá mostrar o que cada criança observou, inclusive quando nenhuma mudança for visível.
Retome as previsões e compare-as com os acontecimentos. Explique, a partir do observado, que a água participa da germinação, mas não é a única condição necessária. Se os grãos não brotarem, investigue com a turma possíveis motivos e proponha repetir a experiência. O broto ainda não produz novos feijões: para isso, a planta precisa continuar crescendo. Se possível, transfira uma muda para a terra e mantenha seus cuidados como continuidade.
4ª Etapa: O que acontece quando amassamos uma banana?
Apresente uma banana inteira e pergunte: “Como poderíamos mudar sua forma sem cozinhar?”. Depois de ouvir as propostas, ofereça porções em pratos e garfos adequados para que as crianças experimentem amassar. Apoie quem precisar, sem exigir degustação.
Convide o grupo a comparar antes e depois: forma, textura, cheiro e facilidade de espalhar. Pergunte: “Virou outro alimento ou continua sendo banana? Conseguimos voltar à forma inicial?”. As crianças poderão representar os dois momentos em desenhos e explicar suas escolhas. Compare o tempo dessa transformação com o crescimento das sementes.
5ª Etapa: Que caminho a comida percorre?
Retome as perguntas sobre o que acontece antes de os alimentos chegarem à escola. Convide um profissional da cozinha, da horta ou um feirante para uma conversa breve, presencial ou por relato. Prepare com a turma duas ou três perguntas: “De quem vocês recebem os alimentos?”, “Como eles chegam aqui?” e “O que acontece antes de serem servidos?”.
Complemente a conversa com fotografias ou livros informativos que mostrem o cultivo, a colheita, o transporte e a comercialização de um dos alimentos investigados. Selecione imagens de sua origem real: a banana se desenvolve na bananeira, o feijão é colhido de vagens. Ajude as crianças a diferenciar aquilo que observaram diretamente das informações conhecidas por imagens ou relatos.
Em pequenos grupos, proponha desenhos das etapas descobertas. Convide a turma a organizar esses desenhos e criar setas ou caminhos em um painel. Pergunte: “O que vem antes? Quem participa desse percurso? Falta alguma etapa?”. A organização poderá ser modificada depois da consulta às fontes. Não é necessário que todos os alimentos sigam um único caminho: há comida que vem da horta de casa e comida que percorre distâncias maiores.
6ª Etapa: O que descobrimos e o que ainda queremos saber?
Reúna os desenhos iniciais, os registros das sementes, as representações da banana e o percurso construído. Convide as crianças a selecionar o que desejam mostrar em um painel com o título “Nossas descobertas sobre a comida”. Elas poderão organizar as produções, criar símbolos, acrescentar desenhos e ditar pequenas legendas para o professor escrever.
Pergunte:
- O que pensávamos no começo? O que descobrimos depois?
- Que observação ou informação nos ajudou a mudar de ideia?
- Que pergunta ainda queremos investigar?
Valorize conclusões apoiadas no que foi observado e mantenha visíveis as perguntas em aberto. Evite transformar a partilha em uma repetição de respostas prontas. O painel deverá tornar visível o pensamento das crianças e poderá ser apresentado a outra turma.
Durante o percurso, observe como as crianças formulam hipóteses, comparam mudanças, criam registros e explicam descobertas. Acompanhe os apoios de que precisam para participar, sem avaliar a qualidade estética dos desenhos ou exigir escrita convencional. Utilize essas observações para planejar novas investigações.
Plano de aula elaborado pela Professora Daniela Leite Nunes.
Coordenação Pedagógica Prof.ª Dr.ª Aline Monge.
Crédito da imagem: ArtMarie – Getty Images