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Qual espaço da sua escola é um convite ao contato das crianças com a natureza? Este plano de aula convida as crianças a explorar os espaços externos da instituição e a reconhecer a natureza como um território de descobertas, investigação e brincadeira. A partir de uma busca por “tesouros da natureza”, as crianças poderão observar, tocar, comparar, selecionar e criar possibilidades de brincadeiras com elementos encontrados no ambiente, desenvolvendo uma relação mais atenta e curiosa com a natureza.

Objetivos

  • Observar e comparar elementos da natureza, percebendo semelhanças e diferenças em suas características, como forma, tamanho, cor e textura;
  • Observar e investigar o ambiente natural, formulando perguntas, compartilhando descobertas e desenvolvendo atitudes de cuidado e respeito pela natureza;
  • Agrupar e organizar elementos naturais a partir de características percebidas durante a exploração; e
  • Registrar, por meio do desenho, observações realizadas sobre elementos da natureza, atentando para formas, contornos, detalhes, cores e tonalidades.

Campos de experiência:

  • Traços, sons, cores e formas; e
  • Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações.

Palavras-chave:

Desemparedamento. Natureza. Exploração. Investigação. Observação. Elementos naturais. Desenho. Sentidos. Infância.

Tempo sugerido:

De 20 a 40 minutos por etapa.

Proposta de trabalho:

O desemparedamento da infância busca ampliar as possibilidades de experiência das crianças para além dos espaços internos da escola, reconhecendo os ambientes externos como territórios de aprendizagem, brincadeira, movimento, investigação e contato com a natureza. A proposta parte do convite para que as crianças explorem o ambiente externo da instituição em busca de pequenos “tesouros da natureza”. A ideia não é encontrar objetos previamente determinados pelo adulto, mas olhar para o ambiente com curiosidade e descobrir o que ele oferece.

Antes da saída, o professor pode apresentar uma pequena caixa ou cesta, que será utilizada para reunir os tesouros da turma e perguntar: “O que será que a natureza guarda para a gente descobrir?”.

As crianças poderão levantar hipóteses sobre o que encontrarão durante a exploração. O professor também conversa sobre os cuidados necessários durante o percurso, como não arrancar plantas, não machucar ou retirar animais de seu ambiente, não colocar elementos na boca e observar atentamente antes de tocar.

As etapas 1, 2 e 3 deverão acontecer no mesmo dia, compondo um percurso de preparação, exploração e investigação dos tesouros encontrados. As etapas 4 e 5 deverão ser realizadas em dias diferentes, permitindo que as crianças retomem a experiência com um novo olhar. Na etapa 4, o grupo observará e registrará uma planta escolhida coletivamente e, na etapa 5, retornará ao mesmo espaço para observar novamente a planta e acrescentar as cores ao registro.

1ª Etapa: Preparando a expedição pelos tesouros da natureza

Em uma roda de conversa, o professor apresentará a proposta de explorar os espaços externos da instituição em busca de pequenos “tesouros da natureza”. Converse com as crianças sobre o que imaginam que poderão encontrar durante o percurso: folhas, sementes, gravetos, pedras, frutos caídos e outros elementos naturais.

Antecipe com o grupo onde e por quanto tempo acontecerá a exploração. Mostre os espaços que serão percorridos e combine os cuidados necessários para essa experiência. Explique que não é preciso encontrar muitos elementos, alguns tesouros serão suficientes para que a turma possa observá-los, compará-los e descobrir suas características.

Apresente à turma uma caixa ou sacola de tecido, que será utilizada coletivamente para guardar os achados da turma. Combine que serão recolhidos somente elementos naturais que estejam soltos e possam ser retirados sem causar danos ao ambiente. As crianças não devem arrancar folhas, flores ou outras partes das plantas, retirar elementos que estejam presos ao solo ou interferir nos seres vivos encontrados durante o percurso.

Antecipe também o que acontecerá depois da exploração: os tesouros não serão levados para casa nem permanecerão guardados como objetos da turma. Após serem observados e explorados, serão devolvidos ao ambiente em que foram encontrados, sempre que possível. Explique às crianças que folhas, sementes, gravetos e outros elementos fazem parte da natureza e de seus ciclos e que, ao devolvê-los, ajudamos a natureza a continuar seu ciclo.

Para finalizar a conversa, lance o convite: “O que será que a natureza vai nos contar quando olharmos para ela com bastante atenção?”.

2ª Etapa: Explorando os tesouros da natureza

Com a sacola ou a caixa da turma em mãos, o professor conduzirá as crianças pelo espaço externo previamente combinado. Convide-as a caminhar, observar e explorar o ambiente com atenção, percebendo elementos que muitas vezes passam despercebidos.

Durante o percurso, incentive diferentes formas de exploração, como olhar de perto, agachar-se, tocar, sentir texturas, observar cores e formas e comparar elementos encontrados. Faça intervenções que ampliem a investigação, como: “O que chamou sua atenção?”, “Como é esse elemento?”, “Você encontrou algo parecido?”, “Onde ele estava?” ou “O que você acha que aconteceu para ele estar aqui?”.

À medida que as crianças encontrarem elementos naturais que estejam soltos e possam ser recolhidos sem causar danos, convide-as a escolher alguns poucos tesouros para levar à sacola da turma. O professor pode ajudar o grupo a perceber que não é necessário recolher tudo o que encontrar, pois observar e selecionar também faz parte da descoberta.

Caso apareçam animais, plantas ou outros seres vivos durante o percurso, incentive a observação sem interferência. Os seres vivos não devem ser recolhidos ou manipulados.

Ao longo da exploração, valorize as descobertas das crianças e registre, por meio de fotografias ou anotações, situações e falas que revelam sua curiosidade, suas hipóteses e as diferentes maneiras de interagir com o ambiente.

3ª Etapa: Compartilhando e investigando os tesouros

De volta ao espaço da turma, reúna as crianças em uma roda de conversa, para que compartilhem suas descobertas. Convide-as a contar o que encontraram, onde encontraram e o que mais chamou sua atenção durante o percurso. Retome algumas situações vivenciadas e valorize diferentes percepções sobre a exploração.

Em seguida, disponha os elementos recolhidos em um local acessível, para que as crianças possam observá-los e explorá-los com mais atenção. Incentive a comparação entre os tesouros, considerando características como cor, forma, tamanho, textura e peso, de acordo com as possibilidades de cada material. Pergunte, por exemplo: “O que esses dois tesouros têm de parecido?”, “O que é diferente entre eles?”, “Qual parece mais áspero? E mais liso?”, “Será que podemos organizar esses elementos de algum jeito?”.

A partir das ideias das crianças, permita que agrupem ou organizem os tesouros segundo critérios construídos pelo próprio grupo. O professor acompanhará as descobertas, escutará as hipóteses e poderá registrar algumas falas e formas de organização encontradas pelas crianças, sem estabelecer previamente uma única maneira correta de classificar os elementos.

Ao final, retome com o grupo que aqueles elementos foram encontrados na natureza e pertencem ao ambiente em que estavam. Antecipe que, depois de conhecerem e explorarem os tesouros, será hora de pensar juntos sobre como e onde devolvê-los, para que continuem fazendo parte dos ciclos da natureza.

4ª Etapa: Desenhando um tesouro da natureza

Esta etapa acontecerá em outro dia, após a exploração e a investigação dos tesouros. Inicie com uma roda de conversa e retome com as crianças os elementos encontrados anteriormente. Explique que, dessa vez, o grupo fará uma escolha coletiva de uma planta ou árvore que esteja no espaço externo para ser o tesouro da turma, para ser observada e registrada pelas crianças.

Converse com as crianças sobre retornar ao espaço onde buscaram os elementos naturais e explique que, dessa vez, observarão o local com atenção para escolher a planta ou árvore que gostariam de registrar. Combine previamente o local onde a atividade acontecerá e o tempo disponível para a experiência. Explique que terão, em média, 30 minutos para chegar ao espaço, observar a planta ou árvore e realizar seus desenhos. Esse tempo deve ser apresentado como uma referência para que as crianças possam se localizar e perceber a duração da atividade, e não como uma cobrança para que terminem o desenho dentro de um prazo.

Leve o grupo ao espaço externo e, após a escolha coletiva, disponibilize para cada criança uma folha de papel sulfite, uma prancheta, lápis grafite e borracha. Antes de começar, convide as crianças a observar a planta ou a árvore com atenção. Explique que o desafio será como “tirar uma fotografia com o lápis”: registrar no papel aquilo que os olhos conseguem perceber.

Nesse primeiro desenho, a cor não será o foco. Incentive as crianças a observar principalmente as formas, os contornos, as linhas, os tamanhos, as proporções e os detalhes da planta ou árvore. Elas podem olhar de diferentes ângulos e aproximar-se para perceber detalhes que não aparecem em um primeiro olhar. A borracha poderá ser utilizada livremente, permitindo que façam ajustes no desenho à medida que observam novamente.

O professor pode ampliar a observação com perguntas como: “Como é o formato dessa planta?”, “Que linhas você consegue perceber?”, “Há partes maiores e menores?”, “O que aparece quando você olha mais de perto?”, “Se você fosse tirar uma fotografia dessa planta com o lápis, o que precisaria aparecer?”.

Não apresente um modelo para ser copiado nem busque uma representação fiel ou padronizada. O objetivo é que cada criança registre aquilo que percebe ao observar a planta ou árvore, construindo uma representação própria.

Ao final, reúna as crianças e conversem sobre o que observaram. Explique que a planta ou árvore continuará naquele lugar e que, em outro momento, a turma voltará para observá-la novamente.

5ª Etapa: Observando e registrando as cores

Esta etapa acontecerá em outro dia, após um intervalo da realização do desenho de observação.

Inicie com uma roda de conversa e retome com as crianças a experiência anterior, mostrando os desenhos realizados. Explique que, na primeira observação, o desafio foi olhar atentamente para as formas, os contornos, as linhas, os tamanhos e os detalhes da planta ou árvore escolhida pela turma. Agora, elas voltarão ao mesmo espaço para observar novamente o tesouro e descobrir as cores que aparecem nele.

Converse com as crianças sobre como a natureza pode apresentar diferentes cores e tonalidades. Chame a atenção para o fato de que uma mesma planta ou árvore pode apresentar mais de uma cor, ter partes mais claras ou mais escuras e reunir diferentes tons de uma mesma cor. Convide-as a observar não apenas qual é a cor, mas onde cada cor aparece e como elas se distribuem na planta ou árvore.

Em seguida, combine com as crianças o espaço em que a observação acontecerá e leve-as novamente ao ambiente externo, diante da mesma planta ou árvore escolhida coletivamente. Entregue a cada criança o desenho realizado anteriormente e os materiais para colorir. Convide-as a observar novamente o tesouro e acrescentar as cores ao registro, considerando aquilo que conseguem perceber naquele momento.

Durante esse momento, o professor pode perguntar: “Que cores você consegue encontrar?”, “Onde aparece essa cor?”, “Você percebe mais de um tom?”, “Tem alguma parte mais clara ou mais escura?”, “Você descobriu alguma cor que não tinha percebido antes?”.

O objetivo não é simplesmente pintar o desenho, mas voltar a observar a planta ou a árvore e ampliar o registro, a partir de uma nova percepção. Valorize as diferentes escolhas e formas de representação das crianças, sem estabelecer uma única maneira correta de representar as cores.

Ao final, reúna o grupo para compartilhar as descobertas e retome como foi observar o mesmo tesouro em diferentes momentos: primeiro percebendo suas formas, linhas e detalhes e, posteriormente, suas cores e tonalidades. Conversem também sobre como observar novamente algo que já conhecemos pode revelar novos detalhes e ampliar aquilo que percebemos.

Materiais Relacionados

  • BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2018.
  • BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Brasília, DF: MEC, 2010.
  • BARROS, Maria Isabel Amando de (org.). Desemparedamento da infância: a escola como lugar de encontro com a natureza. 2. ed. Rio de Janeiro: Alana, 2018.
  • SER CRIANÇA É NATURAL. Tesouros da natureza | Vamos brincar? [Vídeo]. YouTube. Disponível em: YouTube. Acesso em: 27 set. 2026.

Plano de aula elaborado pela Professora Karina Spalla da Silva Chagas.

Revisão textual: Professora Daniela Leite Nunes.

Coordenação Pedagógica Prof.ª Dr.ª Aline Monge.

Crédito da imagem: Tom Werner – Getty Images

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