Conteúdos
Este plano de aula trata do fato de que a língua portuguesa é viva e está em constante transformação. A partir de exemplos históricos e de palavras que passaram a integrar o dicionário por força do uso, os estudantes serão convidados a refletir sobre mudanças linguísticas, gírias, novas formas de expressão e preconceito linguístico. A proposta articula reflexão histórica, análise de exemplos concretos e debate, promovendo uma postura de respeito às diferentes variedades da língua.
Objetivos
- Compreender que a língua é histórica e se transforma ao longo do tempo;
- Reconhecer que as variações linguísticas fazem parte do funcionamento natural da língua;
- Identificar exemplos de mudanças linguísticas ocorridas no português;
- Entender o que significa “dicionarizar” uma palavra; e
- Refletir criticamente sobre o preconceito linguístico.
Conteúdos/Objetos do conhecimento:
- Variação e mudança linguística;
- Gírias e usos sociais da língua;
- Formação e transformação de palavras ao longo do tempo;
- Dicionarização; e
- Preconceito linguístico.
Palavras-chave:
Língua viva. Variação linguística. Mudança histórica. Gírias. Preconceito linguístico. Dicionarização.
Previsão para aplicação:
2 a 3 aulas (50 min/aula).
1ª Etapa: A língua muda?
Inicie a aula escrevendo no quadro a seguinte palavra: VOSMECÊ
Pergunte aos alunos se alguém já ouviu essa palavra. Diga que, há muitos anos, as pessoas diziam “vossa mercê” para se dirigir a alguém com respeito.
Explique o percurso:
- Vossa mercê
- Vosmecê
- Você
Diga aos alunos que, com o tempo, as palavras vão sendo encurtadas na fala cotidiana. O uso frequente faz com que a forma se modifique.
Pergunte:
- A palavra “você” sempre existiu?
- As pessoas do passado falavam exatamente como nós falamos hoje?
Conduza a conversa para que percebam que a língua acompanha as transformações da sociedade.
2ª Etapa: Palavras de ontem e de hoje
Apresente outros exemplos no quadro:
- Pharmacia → Farmácia
- Orthographia → Ortografia
- Vossa Mercê → Você
- Telephone → Telefone
Explique que mudanças na escrita também aconteceram por causa de reformas ortográficas e, se possível, mostre uma pequena imagem de um texto antigo (livro ou anúncio antigo), para que percebam as diferenças.
Pergunte: essas formas antigas estão “erradas”? Será que estavam corretas para a época?
Leve os alunos a compreender que cada época tem sua forma considerada adequada.
3ª Etapa: O que é dicionarizar?
Escreva no quadro a palavra: DICIONARIZAR
Explique que dicionarizar significa incluir uma palavra no dicionário. Isso acontece quando uma palavra passa a ser usada com frequência por muitas pessoas, durante um certo período de tempo.
Ressalte que o dicionário não “manda” na língua, mas sim registra aquilo que as pessoas já estão usando.
Dê exemplos de palavras que já foram consideradas gírias e hoje aparecem nos dicionários, como:
- Internet
- Blog
- Selfie
- Deletar
- Podcast
- Emoji
- Cancelamento
- Crossfit
Explique que, quando o uso se consolida, os dicionários passam a registrar essas palavras.
Pergunte: se muitas pessoas usam uma palavra por bastante tempo, o que pode acontecer com ela?
4ª Etapa: Gíria é erro?
Escreva algumas gírias atuais no quadro (adequadas à faixa etária), como:
- Top
- Crush
- Ranço
Pergunte:
- Essas palavras são usadas por vocês?
- Elas aparecem em quais situações?
- Vocês usariam essas palavras em uma carta formal?
Explique que a língua varia conforme a situação. Há contextos mais formais e outros mais informais. Isso não significa que uma forma seja “feia” ou “errada”, mas sim que cada situação pede um uso diferente.
Introduza a ideia de preconceito linguístico de maneira acessível, contando aos alunos que o preconceito linguístico acontece quando alguém é julgado ou desrespeitado por causa da maneira como fala e/ou escreve.
Diga aos alunos que ninguém fala “errado”. As pessoas falam de acordo com o lugar onde vivem, com sua família, com seu grupo social, ou seja, uma palavra diferente não está necessariamente errada, pois pode tratar-se de um regionalismo ou de algo que faz sentido naquele contexto específico.
Relembre que a língua tem como função principal a comunicação. É por meio dela que expressamos ideias, sentimentos, opiniões e construímos relações. Por isso, ao refletirmos sobre “certo” e “errado”, é importante compreender que o erro, muitas vezes, depende do contexto. Uma forma pode não ser adequada em uma situação formal, como uma redação escolar ou um documento oficial, mas pode ser perfeitamente aceitável em uma conversa entre amigos. Saber usar a língua de maneira adequada a cada situação é mais importante do que simplesmente rotular formas de falar como certas ou erradas.
5ª Etapa: Atividade prática
Proposta 1 – Linha do tempo da palavra
Divida a turma em grupos e entregue a cada grupo uma palavra que sofreu transformação (como você, farmácia, telefone). Peça que organizem as formas antigas e atuais, em ordem cronológica.
Depois, cada grupo apresenta sua descoberta.
Proposta 2 – Debate orientado
Proponha a seguinte pergunta para discussão: “A língua deve mudar ou deveria permanecer sempre igual?”
Oriente os alunos a argumentar, respeitando a fala dos colegas.
Proposta 3 – Produção escrita
Peça que os alunos escrevam um pequeno parágrafo respondendo: por que podemos dizer que a língua é viva?
Incentive que utilizem pelo menos um dos exemplos estudados na aula.
6ª Etapa: Encerramento
Finalize retomando a ideia central: a língua pertence às pessoas e muda porque as pessoas mudam. Novas realidades criam novas palavras, e, com o tempo, muitas dessas palavras passam a fazer parte dos dicionários.
Reforce que compreender isso nos ajuda a respeitar diferentes maneiras de falar e a usar a língua de forma mais adequada em cada situação.
Bom trabalho!
Plano de aula elaborado pela Professora Daniela Leite Nunes.
Coordenação Pedagógica: Prof.ª Dr.ª Aline Bitencourt Monge.
Crédito da imagem: Image Source – Getty Images