Conteúdos

Este roteiro de estudos de língua espanhola aborda a vida e a obra da escritora Carmen de Burgos.

Objetivos

    • Biografia de Carmen de Burgos;
    • Prêmios de Carmen de Burgos; e
    • Proposta de fixação.

    Conteúdos / Objetos do conhecimento:

    • A vida de Carmen de Burgos;
    • A obra de Carmen de Burgos; e
    • Proposta para fixação do conteúdo.

    Palavras-chave:

    Língua espanhola. Literatura. Carmen de Burgos.

    Proposta de trabalho:

    Este roteiro de estudos busca fornecer aos alunos informações sobre a vida e a obra de Carmen de Burgos.

1ª Etapa: Carmen de Burgos: biografia

Carmen de Burgos Seguí nasceu em Almería, em 1867. Era filha de José de Burgos Cañizares, vice-cônsul de Portugal na cidade. O cargo ocupado por seu pai lhe proporcionou recursos financeiros e acesso a uma educação de alto nível, algo raro para as mulheres naquele período, quando o estudo feminino ainda era severamente limitado.

Em 1883, aos 16 anos, casou-se com o poeta Arturo Álvarez Bustos. O casal teve vários filhos, mas apenas uma criança sobreviveu. Já nessa fase de sua vida, Carmen demonstrava grande interesse pela leitura e pelos estudos de modo geral. A partir desse despertar intelectual, fez magistério e passou a colaborar com artigos para jornais de Almería.

A separação ocorreu somente em 1901, após anos de traições e agressões físicas por parte do marido. Diante dessa realidade, Carmen decidiu fugir para Madrid com sua filha, então com apenas seis anos de idade.

Após um ano vivendo na capital, Carmen alcançou um marco fundamental em sua trajetória: tornou-se a primeira mulher jornalista da Espanha, ao escrever a coluna “Notas femininas” para o jornal “O Globo”. Em seguida, passou a trabalhar no “Diário Universal”, onde assinou a coluna “Leituras para a mulher” e adotou seu célebre pseudônimo, Colombine.

Sempre ligada aos estudos, em 1905 Carmen conquistou uma bolsa para pesquisar os sistemas educacionais de outros países, o que lhe permitiu passar um ano na França, na Itália e em Mônaco. Essas vivências ampliaram sua compreensão sobre a situação da mulher na Europa. Ao retornar à Espanha, organizou a “Tertúlia modernista”, grupo que reunia importantes intelectuais espanhóis e que deu origem ao jornal “La Crítica”.

Carmen de Burgos também atuou como correspondente na guerra de Melilla. Foi filiada ao Partido Republicano Radical Socialista, presidente da Cruzada de Mulheres Espanholas e da Liga Internacional de Mulheres Ibéricas e Ibero-Americanas, vice-presidente da Esquerda Republicana Anticlerical e membro da maçonaria.

Divórcio: uma revolução

Carmen conhecia, por experiência própria, a realidade de um casamento fracassado, marcado por abusos, agressões físicas e constantes traições. Sensível à condição da mulher na sociedade e consciente da necessidade de que elas tivessem voz, engajou-se na luta pela legalização do divórcio.

Em 1904, escreveu no “Diário Universal” que pretendia criar um “clube dos casamentos fracassados”, com o objetivo de estudar o problema e elaborar um esboço de lei que permitisse o divórcio. Como era de se esperar, foi duramente atacada pela Igreja e pela alta sociedade da época. Ainda assim, não se deixou intimidar. Ciente do poder de sua palavra, promoveu uma enquete no jornal sobre a legalização do divórcio, que obteve 1.462 votos favoráveis e 320 contrários.

Esses resultados evidenciaram que parte significativa da sociedade espanhola apoiava a causa, fato que Carmen expressa no livro “La malcasada”, no trecho a seguir:

“Era suficiente para ela possuir o domínio de seu corpo, não ter que degradá-lo em uma união sem amor; sem ter que cumprir essa obrigação que as devotas damas chamavam de dívida conjugal. Foi a maior monstruosidade que o casamento engolfava.”

Consciente de sua influência, em 1906 Carmen lança no jornal a coluna “O voto da mulher” e promove uma nova enquete, questionando se as mulheres deveriam ter direito ao voto. O resultado foi de 922 votos favoráveis e 3.640 contrários. Embora o desfecho tenha sido menos positivo do que o da campanha pelo divórcio, Carmen compreendeu que a sociedade espanhola ainda era profundamente conservadora e que uma reforma educacional era indispensável.

Sobre isso, publicou o seguinte parecer:

“O povo espanhol, em comparação com outras nações, sofre um atraso considerável. O peso dos atavismos é ainda maior do que a força do progresso que o impulsiona. As mulheres na Espanha precisam conquistar sua cultura primeiro; então, seus direitos civis, já que em nossos Códigos não são, em muitos casos, pessoas jurídicas, e depois fazer com que os costumes lhes concedam maior liberdade, mais respeito e condições de vida independente.”

Somente em 1931, 25 anos depois, o divórcio e o voto feminino passaram a ser contemplados na Constituição espanhola, o que evidencia a relevância histórica de Carmen de Burgos na luta por garantir às mulheres um papel ativo e reconhecido na sociedade.

2ª Etapa: Homenagem

Carmen de Burgos teve tamanha relevância para o século XX que foi escolhida como patrona da Faculdade de Humanidades da Universidade de Almería, em reconhecimento à atuação como ativista espanhola.

3ª Etapa: Obras de Carmen de Burgos

Ensaios e outros trabalhos

  • Ensayos literarios, 1900.
  • Álbum artístico literario del siglo XX, 1901.
  • Notas del alma, 1901, (colección de coplas populares).
  • El divorcio en España, 1904.
  • La mujer en España, 1906.
  • Por Europa, 1906.
  • La voz de los muertos, 1911.
  • Leopardi, 1911.
  • Misión social de la mujer, 1911.
  • Cartas sin destinatario, 1912.
  • Al balcón, 1913.
  • Impresiones de Argentina, 1914.
  • Confidencias de artistas, 1916.
  • Peregrinaciones, 1917.
  • Mis viajes por Europa, 1917.
  • ¿Quiere usted comer bien?, 1917.
  • Fígaro, 1919.
  • La Emperatriz Eugenia, 1920.
  • Hablando con los descendientes, 1929.
  • Gloriosa vida y desdichada muerte de D. Rafael del Riego, 1931.
  • Amadís de Gaula, s.a.

Romances

  • Los inadaptados, 1909.
  • La rampa, 1917.
  • El último contrabandista, 1918.
  • Los anticuarios, 1919.
  • El retorno, 1922.
  • La malcasada, 1923.
  • Los espirituados, 1923.
  • La mujer fantástica, 1924.
  • El tío de todos, 1925.
  • Quiero vivir mi vida, 1931.
  • Los anticuarios.

Contos

  • Ensayos literarios, 1900.
  • Alucinación, 1905.
  • El anhelo.
  • El abogado.
  • El artículo 438.
  • Cuentos: El tesoro del castillo.
  • Cuentos de Colombine.
  • En la guerra.
  • Honor de familia.

4ª Etapa: Proposta para fixação do conteúdo

Considerando o universo do feminismo e a forma como as mulheres historicamente tiveram sua voz silenciada no Brasil — especialmente no que diz respeito ao direito ao divórcio —, propõe-se, como atividade de fixação, a leitura da obra “A Divorciada”, de Francisca Clotilde (1862–1935). A autora foi pioneira ao retratar esse tema em um contexto social no qual o divórcio ainda era um grande tabu.

Acesso em: 23 de dezembro de 2025.

REFERÊNCIAS

Acesso em: 23 de dezembro de 2025.

Acesso em: 23 de dezembro de 2025.

Roteiro de estudos elaborado pela Professora Tayná Rosa.

Revisão textual: Professora Daniela Leite Nunes.

Coordenação Pedagógica: Prof.ª Dr.ª Aline Bitencourt Monge.

Crédito da imagem: Walter Bibikow – Getty Images

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