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15 MARÇO 2013


As novas gerações estão cada vez mais imersas no mundo digital, utilizando smartphones e outros dispositivos móveis que os conectam com o mundo a todo instante. Nestes dispositivos, leem e escrevem cada vez mais, além de fazer uso de outras formas discursivas, como vídeos e imagens. Por outro lado, as mensagens trocadas estão cada vez mais curtas e as pessoas parecem perder gradativamente o interesse em textos mais longos e densos. As escolas estão preparadas para este cenário?

Para Antônio Xavier, professor titular de linguística na UFPE, é notório que estamos lendo mais, e que isso, em um segundo momento, significa que também escrevemos mais. No entanto, ele alerta: “é preciso observar que as pessoas não estão mais se concentrando em uma leitura de longo fôlego, como um romance, por exemplo. Estão com uma pressa de se comunicar, de forma compacta”, afirma.

Esta tendência é ainda mais notável quando pensamos no ambiente escolar. “Quem está no processo de aquisição de competências está deixando de adquirir a capacidade de processar informações com mais detalhes, competência exigida nestas leituras mais longas”, continua o professor.

Educomunicação e compreensão

Uma iniciativa do Colégio Dante Alighieri, em São Paulo, coloca as diferenças entre os gêneros textuais em questão através da educomunicação. Trata-se do projeto Dante em Foco, que desde 2007 coloca os alunos do colégio para produzirem conteúdos jornalísticos em diferentes mídias.

“A leitura e a escrita nas redes sociais são feitas por meio de textos mais curtos para cumprir com o imediatismo da rede. Em contrapartida, por haver uma grande quantidade de informações simultâneas nas redes sociais, os jovens estão habituados a interagirem com diferentes temas e plataformas de forma natural”, afirma o departamento de tecnologia educacional do colégio, coordenado pela professora Valdenice Minatel.

Os alunos participantes da oficina produzem textos sobre temas atuais, postam nas redes sociais e ainda fazem análises de veículos de comunicação. Desta forma, passam a comparar e conectar informações, adequando o discurso para cada mídia em que atuam ou analisam. Para Xavier, este tipo de competência é imprescindível: “Informações sem conexão não servem para nada”, pontua.

As diferentes tecnologias não podem tirar da escola o seu papel de ser o lugar privilegiado da concentração e reflexão. “Cabe à escola tomar as rédeas e desenvolver nos alunos a capacidade de sintetizar informações”, afirma Xavier.

Tecnologias como aliadas e não vilãs

Outro lado da revolução promovida pelas novos meios de comunicação digital são as facilidades que o uso das tecnologias promovem, reduzindo o tempo de processos e atividades. Por exemplo, uma exposição do professor que tomava todo o período de aula agora pode ser assistida em casa pelo aluno, em vídeos. Desta forma, o professor pode utilizar este tempo livre para estimular atividades que demandem mais atenção dos alunos e estimulem a reflexão, como a leitura de textos densos.

Ao lidar com diferentes modalidades textuais e diversas mídias, o professor pode ainda levantar questões sobre a adequação de determinadas formas discursivas que podem ser adotadas pelos alunos. Xavier lembra que a forma como um aluno escreve um trabalho acadêmico não pode ser a mesma que utiliza ao escrever um SMS, e a recíproca também é verdadeira.

Nesta “briga” entre textos longos e densos versus os curtos e rápidos, os responsáveis pela Dante em Foco advertem: “é importante lembrar que nem sempre um texto grande é um texto bem escrito. A capacidade de interpretação dos fatos e de argumentação é fundamento essencial para um texto. Dessa forma, é preciso mensurar mais do que a forma, analisando a essência do conteúdo”.

Xavier afirma que as novas tecnologias permitem uma maior capacidade de expressão. “Uma mensagem de celular pode conter texto, imagem e som. Isso colabora para a formação de sentidos que o remetente deseja comunicar”, coloca. “Desta forma, não podemos demonizar as tecnologias, seja na sua função social ou pedagógica. Elas podem conspirar a favor da sociedade e da escola, quando bem utilizada pelos sujeitos”, finaliza.
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